Entrevista com Julia Taschetto, mãe aos 18 anos

 

“Aos 18 anos me tornei mãe. Nasci em São Paulo e estudo jornalismo (…) Tento conciliar da melhor maneira possível meu tempo entre trabalho, faculdade, Benício e namorado, tempo para estudar e coisas a parte. O Benícinho mudou minha vida completamente e trouxe comigo um mundo inteiro para compartilhar” – Julia Taschetto, 19 anos, Blog: Mamãe com Lábia

Como você descobriu estar grávida?

Eu sempre tive a minha menstruação super regulada, antes de descer eu tive um pressentimento de estar grávida e na mesma hora pensei “eu tô louca, imagina”. Comentei com as minhas amigas na faculdade sobre o atraso que não era normal, fora o pressentimento que tive. Minha amiga comprou o teste para mim porque eu não tive coragem de comprar. Caso o resultado fosse positivo apareceria uma cruz no teste mas só apareceu uma linha, então pensei que tudo bem, eu não estava grávida. No outro dia de manhã ainda não tinha descido e eu continuei pensando que tinha alguma coisa de errado, ai eu fui olhar o teste de novo e vi que tinha aparecido um risco bem fininho formando uma cruz. A gravidez era tão recente que nem tinha hormônio suficiente para formar a cruz na hora. Contei para a minha melhor amiga e compramos outro teste para ter certeza, dessa vez na hora deu positivo. Eu liguei pro meu namorado e falei “Wel, vem aqui para casa e traz um teste de gravidez porque eu acho que tô grávida”. Esse teste também deu positivo na hora. Eu, ele e minha amiga ficamos um tempo só nos olhando sem saber o que fazer. Nos dois primeiros meses eu fingia que não estava grávida, mas ao mesmo tempo, eu fazia todos os exames porque meu filho não tem nada a ver com isso, não podia ser inconsequente. Sempre foi meu sonho ser mãe nova, mas nova tipo 25 anos, não 18 né.

Como você contou para a sua família sobre a gravidez?

O meu namorado foi muito compreensivo, a gente se dá super bem e ele é um pai mega presente. Apesar do susto nós queríamos encarar isso juntos. Quando eu estava com dois meses eu acabei contando pro meu pai, mas foi sem querer. Eu estava brigando com meu irmão e estava muito nervosa, coisa que eu não podia estar. Eu lembro que ele bateu no meu braço com uma colher de pau e quando eu liguei pro meu pai pra falar sobre a briga ele ficou do lado do meu irmão, eu involuntariamente falei “Mas eu tô grávida, ele não pode me bater porque eu tô grávida”. Eu já esperava que meu pai aceitaria melhor, ele teve uma reação mais calma porque ele e muito afetivo. Eu desliguei o telefone e ele me ligava sem parar, eu não tinha coragem de atender e rejeitava todas as ligações mas uma hora eu tive que atender e contar. Ele perguntou se minha mãe sabia eu falei que não e que não queria que ele contasse. Eu estava completando quase 6 meses de gravidez e conversava com o meu pai sobre como contaria pra minha mãe. Por coincidência na mesma hora ela ligou para ele pra falar algo sobre o meu irmão e acabou comentando que eu estava tão gorda que parecia estar grávida, meu pai falou “Patrícia, não parece que ela está grávida, ela está grávida”. Eu estava na aula nesse dia e ela não parava de me ligar e eu desligava sem coragem de atender, enrolei muito pra ir pra casa nesse dia. Quando eu entrei em casa ela berrava muito, estava muito brava. Só depois que meu tio e minha madrinha conversaram com ela e acalmaram-na eu pude conversar numa boa. Me perguntou o porquê de eu ter escondido dela, aliás, esse foi o motivo de ter ficado tão brava, eu estava com quase 6 meses e contei pro meu pai e não contei pra ela. Mas depois que a gente conversou ficou tudo bem e no mesmo dia ela me deu uma roupinha pro bebê, marcou um ultrassom pro dia seguinte. A partir daí ela aceitou, contou pra família, queria contar pra todo mundo no emprego, postar no facebook, queria que eu tirasse várias fotos.

O que mudou na sua rotina depois de ter filho?

Mudou completamente! Principalmente em relação a faculdade, eu tive que trancar pra me dedicar a ele e foi a melhor coisa que eu fiz. Agora meu tempo é limitado, eu acordo, deixo ele na creche às 7 horas, vou pro trabalho e depois pra faculdade. Quando chego em casa eu sou toda do meu filho, um filho exige atenção e eu faço questão de dar. A rotina não me deixa muito tempo para estudar, por isso eu tenho que prestar atenção na aula, esse e o único tempo que eu tenho para absorver o conteúdo. Quando eu tenho trabalhos externos da faculdade, por exemplo, eu tenho que deixa-lo com a minha mãe mas eu não gosto de pedir. O tempo que eu tenho extra é meu tempo de estudo e outras coisas que tenho pra fazer. Se você se esforçar até que dá para conciliar tudo sim até porque eu não deixei de fazer nada, eu vinha pra faculdade, fazia todos os trabalhos e dirigi até a última semana de gravidez.

Em relação ao lazer, o que mudou depois que teve o Benício?

Mudou muito! Eu era a pessoa que mais saia no mundo e agora quando eu saio eu procuro fazer programas que eu consigo inclui-lo. Tive que abrir mão de algumas saídas e tenho muita sorte por ter um namorado companheiro, se eu não saio ele fica comigo e sempre me ajuda com meu filho. Claro que se acontecer de eu ter muita vontade de sair eu deixo ele com a minha mãe e eu não volto tarde porque ele acorda muito no meio da noite e é chato deixar isso pra minha mãe. Eu tento ir em lugares que dê pra leva-lo como casa de amigas ou restaurantes, e se eu vou em algum lugar a noite eu sempre respeito o horário dele de dormir. Às vezes eu sinto falta de ir em alguns lugares mas não gosto de ficar pedindo favor pra outra pessoa cuidar dele porque ele é muito pequeno, tem só dez meses e ainda depende muito de mim. Com certeza quando ele fizer uns dois anos eu vou ter mais liberdade pra sair porque ele vai ser mais independente de mim.

Quais são seus planos para o futuro, tanto profissionais como pessoais?

Agora eu estou mais preocupada em estudar e me formar bem, porque se eu conseguir uma boa formação e boas notas algum professor pode me indicar para um estágio e eu preciso disso mais do que qualquer outra pessoa, porque eu tenho um filho pra cuidar. Quero conseguir um bom emprego pra ter condições de sair da casa da minha mãe e ter minha casa própria. Eu tenho um blog onde falo sobre maternidade e tenho planos pra transforma-lo em um meio jornalístico. Recentemente não estou tendo muito tempo pra escrever mas assim que tiver tempo quero investir nisso. Estou vendo de abrir uma marca de roupas com meu namorado porque agora que eu tenho meu filho eu penso muito no dinheiro e procuro fazer alguma coisa paralela pra conseguir dinheiro extra porque o que entrar de dinheiro extra é benefício pro meu filho.

Como foi para você se vestir durante a gestação? Foi difícil conciliar conforto e estilo?

Foi um inferno! Parecia um trapo! Eu nunca fui muito magra mas quando eu engravidei eu engordei 15 kg, então minhas calças que eram 38 não cabiam mais e como minha mãe não sabia eu não podia ficar comprando roupas muito grandes. Então eu me adaptava com o que tinha, eu usava muita legging, camisetão, saia e vestido. Quando minha mãe descobriu estava chegando o inverno e eu precisei comprar roupa. Comprei calça jeans em loja de gestante e também pude comprar roupas mais justas que marcavam a barriga. A roupa de gravidez é um saco, são roupas largas, muitas peças precisavam de ajuste porque ficavam boas na barriga e não ficavam boas no peito ou as calças ficavam muito apertadas no quadril. Calcinha e sutiã tive que comprar tudo novo, e depois que ele nasceu ficou pior ainda, o pós parto é horrível. Eu estava muito debilitada porque fiz cesárea então tem o corte da cicatriz e seu corpo está passando por grandes mudanças. O pior de tudo é para amamentar porque precisa ser uma roupa de fácil acesso, fora que os sutiãs de amamentação são horríveis! Ou são bege ou rosa com corações, o mais ok que achei foi um branco com listra azul, e eles não são baratos. Então era difícil encontrar uma roupa que se adeque ao que eu preciso no momento, seja bonita e barata, porque o que é bonito e prático não é acessível. Era muito difícil conciliar estilo e conforto, e eu acabava optando pelo conforto.

Então, a forma como você se vestia afetou a sua autoestima?

Muito! Principalmente por causa das roupas, eu pensei “Não é possível a mulher estar numa situação péssima, debilitada, com o emocional abalado e não encontrar peças de roupa que a façam se sentir melhor, mas sim roupas que a deixam pior”. Os melhores sutiãs que achei tinham cores básicas tipo preto ou branco e eram 170 reais, sem condições! Então eram sutiãs horríveis, aquela calcinha gigante e as roupas das lojas de gestante me deixavam parecendo uma vovózinha. Para mim que tenho 19 anos e namorado isso foi bem complicado. Eu queria estar bonita e eu não me sentia bem com a minha aparência porque não conseguia usar nada bonito, eu só comecei a usar umas roupas mais legais depois que eu voltei a trabalhar.

Qual dica de moda e beleza você daria para as futuras mamães?

O que eu aconselho é tentar achar um sutiã que não seja horrível, eu queria dar a dica de onde encontrar por preço acessível mas eu também não sei. A dica que eu tenho é mais pro parceiro da futura mãe. Ele tem que entender que não é desleixo da mulher, é um momento que vai passar e é complicado encontrar uma roupa bonita e prática, e a maioria das mães opta por ser prática e dar conforto pro seu filho. E para as mulheres não ficarem com a autoestima tão baixa eu aconselho que elas por exemplo, façam a unha ou arrumem o cabelo, passem um pouco de maquiagem pra sair, porque essas pequenas coisas mudam a sua autoestima. E ter uma pessoa do seu lado que não vai te julgar, como o meu namorado, é essencial. A minha dica é tentar focar nesses pequenos detalhes e não deixar de fazer coisas para você, e se no momento não der não se preocupe, porque daqui a pouco vai dar.

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Natália Croccia Lucchesi

Gosto de como a moda é pessoal, cada um tem e segue a sua! Amoooo gente que ousa e não tá nem aí pro que os outros pensam.