Empatia – A habilidade mais importante de todas

“Qualquer ato de envolvimento emocional em relação a uma pessoa, a um grupo e a uma cultura”. De acordo com o Aurélio, é assim que a empatia é descrita. Mas na prática é um pouco diferente. Empatia é sair do modo automático e colocar tanto a mente quanto o coração nos outros. Explorar os sentimentos daquela pessoa. Procurando por suas origens. E, de tanto procurar, acabamos encontrando algo, muitas vezes o sentimento que mal se sabia estar lá.

A empatia pode se manifestar de todos os jeitos. Dos mais simples, em simplesmente ouvir alguém e tentar compreender o que a pessoa deve estar sentindo. Até lutar por alguma causa que afeta milhares de pessoas, como as manifestações por direitos que acontecem no país inteiro.

Na maioria das vezes somos empáticos e nem percebemos, e esses atos podem fazer uma diferença marcante em alguém. Luisa, uma das estudantes do segundo semestre de psicologia do Mackenzie nos contou uma história similar.

“No primeiro ano do ensino médio eu sofria de distúrbios de depressão e tinha crises graves de ansiedade, por conta de um relacionamento abusivo. Um dia no colégio, esse relacionamento abusivo acabou indo à tona e ficou exposto para as pessoas. Não foi algo que todos souberam ou que paralisou a escola. Mas o meu estado nesse dia dizia muito mais do que qualquer um outro. Eu lembro que estava sozinha, sentada em uma mesa em frente a uma cafeteria, esperando a diretora da escola para conversar sobre o ocorrido. E nesse meio período, algumas pessoas da minha sala tentaram se comunicar comigo. Pessoas que não passavam de colegas de classe sentavam-se a mesa e perguntavam se eu queria conversar, ou apenas desejavam melhoras. Era perceptível que estava longe de ser um gesto curioso ou apenas obrigação, mas sim uma preocupação. Pessoas que não me conheciam, se preocuparam”

“Eu acho que as maiores formas de empatia estão nos gestos mais despreocupados do mesmo”

Manifestar a empatia, principalmente hoje em dia em meio a tantos conflitos do cotidiano, deveria ser um pré-requisito para viver em sociedade. Pensando em toda a importância da empatia, o “Museu da Empatia” junto com a instalação “Caminhando em seus sapatos” vieram direto de Londres para São Paulo.

Pares de sapato - Museu Empatia
Exposição “Caminhando em seus sapatos”

O museu já passou por Londres, Redcar, na Inglaterra, e em Perth, na Austrália. Ele é baseado nas ideias do pensador cultural Roman Krznari. O autor defende que a empatia é a capacidade mais importante que podemos desenvolver, porque nos permite entender o outro, ver o mundo pelos olhos do outro. E o objetivo do museu nada mais é do que isso. Pegar essas metáforas e as tornarem literais. No museu, a empatia é explorada através de experiências sensoriais e situações de diálogo e conexão entre as pessoas. Mostrando que, através dela é possível melhorar as relações. Inspirar mudanças de atitude e até contribuir para enfrentar desafios globais, como preconceitos, conflitos e desigualdade.

A instalação “Caminhando em seus sapatos” é um pouco diferente do normal. Ela faz referência a uma caixa de sapatos gigante, onde estão pares de calçados disponíveis acompanhados de 25 histórias dos donos de cada par de sapato. O visitante escolhe um deles e é convidado a caminhar com os sapatos pelo espaço, enquanto escuta o depoimento da pessoa a quem eles pertenceram.

Os relatos falam sobre diversos temas. Entre eles: superação, diversidade, violência social e direitos humanos, LGBTfobia, gordofobia, educação, cultura, acessibilidade e direito à cidade.

Museu da Empatia – Caminhando em seus sapatos…

Onde fica: Parque do Ibirapuera na Praça das Bandeiras (área externa do pavilhão da Fundação Bienal de São Paulo), com acesso pelo Portão 3.

Horários: de terça a sexta das 10h às 19h. Sábados e domingos das 11h às 20h.

A entrada é gratuita com capacidade de 25 pessoas por vez. E ficará ativo de 18 de novembro até 17 de dezembro de 2017.

Dê uma pausa e vem ler esse texto literário incrível.

Larissa Iole de Freitas

Paulistana propensa a sonhar demais em meio a realidade. Apaixonada por histórias novas, café(s), bons livros e uma boa playlist que acompanhe isso tudo.