Em meio à pandemia, grandes eventos driblam quarentena para sobreviver

Patrícia Vilas Boas

Janeiro de 2020. Lollapalooza confirmado para o mês de abril, show da Taylor Swift marcado para a segunda quinzena de julho. Tudo parecia normal no Brasil, até a notificação dos primeiros casos suspeitos de coronavírus no país, logo após a terça-feira de Carnaval, um dos maiores eventos da América Latina.

Foram os prefeitos e governadores começarem a decretar quarentena em seus respectivos estados que as grandes empresas de eventos, como a Tickets for Fun, perceberam que 2020 seria um ano atípico. O que eles não esperavam – e mais ninguém – era que o impacto nesse setor seria tão cruel.

Com o isolamento social recomendado para diminuir a disseminação da doença pelo território brasileiro, eventos em todos os estados e municípios tiveram de ser cancelados ou reagendados. Foi o caso do Lollapalooza, que foi reagendado para dezembro deste ano, mas ainda não há certeza sobre a realização do festival, levando em consideração a situação atual de crise sanitária que o país enfrenta.

Pensando a longo prazo e pretendendo não limitar completamente suas atividades, as empresas começaram a pensar em estratégias no setor que trouxessem o entretenimento para o público mesmo distante.

Abril e maio foram meses marcados pela explosão de lives na internet. Um retrato dessa febre é a cantora e compositora Marília Mendonça, que bateu o recorde mundial no Youtube com a transmissão ao vivo mais assistida da plataforma, com 3,2 milhões de espectadores.

Marília Mendonça durante show presencial antes da pandemia. Crédito: Pexels

Outro exemplo foi a live mundial “One World Together at Home”, festival promovido pela Organização Mundial da Saúde, iniciativa da cantora Lady Gaga, que contou com a participação de grandes nomes da música internacional como Eddie Vedder, Elton John, Beyonce e Jennifer Lopez.

Logo em seguida, quase de imediato, vieram os espetáculos drive-in. Os shows acontecem dentro de um estacionamento onde o público pode acompanhar de dentro dos seus carros. É uma adaptação do conhecido cinema drive-in, que fez muito sucesso nos anos 50 e 60, principalmente nos Estados Unidos, na época de ‘ouro’ de Hollywood.

O cinema drive-in chegou ao Brasil na década de 60 e voltou a se popularizar agora no período de isolamento social. Crédito: Flickr

Mais recentemente, aconteceu o primeiro show com distanciamento social, na cidade de Newcastle, no Reino Unido. O público ficou separado em grupos de até 5 pessoas dentro de “cercadinhos”, que mais pareciam minicamarotes, para a evitar a aglomeração. O evento contou com a presença de 2.500 pessoas e a Arena já tem mais shows marcados para os meses de agosto e setembro.

Que a crise atingiu fortemente o setor de eventos, não há dúvidas. Agora, com as regras de quarentena mais flexibilizadas, fica o questionamento: como serão os próximos? Alguns países conseguiram conter a disseminação do novo coronavírus e retomar as atividades mais rapidamente, mas e o Brasil? Como fica o futuro do entretenimento no nosso país?