Do Streaming ao Mainstream: um Review do Oscar 2019

Estamos sempre sujeitos, eu, você e o Oscar, a descobrir algo novo e impressionante juntos. Na cerimônia da premiação e sua transmissão televisiva que, esse ano, aconteceu há 5 dias atrás (24/02) não foi diferente.

Tivemos algumas convicções – como que Shallow ganharia a estatueta por melhor canção original. No entanto, para o bem ou para o mau, tivemos mais dúvidas e surpresas do que certezas.

O professor do CCL, Fernando de Jesus Giraldo Salinas – ou só Salinas – que ministra aulas de Linguagem e Produção Audiovisual para as turmas de Jornalismo e Publicidade e Propaganda possui mais de 40 anos na área. Ele acertou, no ano passado, 16 de seus 24 palpites sobre a premiação e hoje afirma que esse foi o possível último ano em que ministrou a sua famigerada aula do Oscar aqui no Mackenzie. O motivo? A Premiação da Academia aparentemente terá a sua data alterada para o início de fevereiro, período em que nós, mackenzistas, ainda estamos curtindo nossas consagradas férias, não é mesmo?

“Não existe aula do Oscar depois do Oscar”. No entanto, existe algo chamado review. E é sobre isso que iremos falar hoje.

A tabela a seguir mostra os palpites de nosso Professor para as principais categorias e seus respectivos vencedores em 2019. Foram 14 acertos. Confira alguns:

Todo mundo concorda, ou não, que a categoria de melhor filme é a mais importante e esperada da noite.

Entretanto, o que mais chamou a atenção este ano, foi a dicotomia entre duas das oito indicações deste ano: Roma – o filho mais cultuado do streaming e Pantera Negra – o menos convencional dos mainstreams.

Você pode considerar Pantera Negra um inexpressivo modelo pré programando Marvel ou mesmo o maior relato de representatividade negra já concebido. Assim como pode achar Roma um pseudocult charlatão ou a maior façanha do cinema atual. Tanto faz. Não importa. Um fato você tem de admitir: esses filmes provam que o Oscar não é mais o mesmo.

Produzido pela Netflix, o filme que possui como cenário a infância de seu diretor Afonso Cuarón, foi o primeiro filme da plataforma a ser indicado às principais categorias. Levou 3 das 10 indicações em que concorria.

A obra tem, sob meu olhar, uma narrativa seca e encharcada de emoção. Um cotidiano cru e sutil. Uma fotografia que rompe esteticamente qualquer formato popular. Uma verdadeira aula de como transformar memórias em arte.

Já o filme do super herói desenvolvido pelos estúdios Marvel, também levou 3 das indicações que recebeu.

Pantera Negra, a meu ver, não segue exatamente a fórmula pré definida. Muito pelo contrário, representa um grande espetáculo e momento político. É sério, corajoso e mais do que isso, é necessário. O filme é um ensinamento sobre como o padrão hollywoodiano nada condiz com o mundo.

Mas nenhum dos dois filmes venceu no quesito sobre o qual estamos tratando.

Por que?

A academia não teve coragem para premiar um desses filmes?

Green Book – O Guia realmente tinha o que precisava para ganhar?

E mais:

O que devemos esperar para as próximas edições do evento?

É incerto. E eu não desejo incorporar conclusões próprias aqui. Pensem com os questionamentos, reflitam, concluam e esperem para ver a sétima arte nos surpreender de novo ano que vem.

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POST POR: Shirley Balbino