Dia da Consciência Negra

Hoje, 20 de novembro, em algumas cidades do Brasil, é celebrado o Dia da Consciência Negra. Ultimamente, esta data tem atraído a atenção de algumas pessoas, não por causa do significado existente no dia, mas sim pelo fato do dia 20 de novembro ser feriado em algumas cidades e em outras, apenas mais um dia comum de trabalho.

O dia de hoje vai muito além de um feriado. Há 322 anos, foi brutalmente assassinado no estado de Alagoas Zumbi dos Palmares. Este quilombola, em pleno período colonial, resistiu fortemente aos ataques dos bandeirantes contra a população negra que era escravizada na época.

Há no Mackenzie, um movimento surgido na década de 1970 e reestruturado em 2014, chamado Coletivo Afromack. Nele são aceitos alunos e funcionários negros da universidade, sem distinção de credo ou orientação sexual. O coletivo busca proteger e dar voz aos negros e negras que frequentam o Mackenzie, independente da posição.

Os membros do Afromack são frequentemente convidados para palestrar em diversos eventos de diferentes cursos. Nesta semana, entre os dias 21 e 24, o coletivo realizará no auditório do prédio 9, a Semana da Consciência Negra. Evento que contará com shows e palestras que buscam gerar reflexões sobre o atual espaço que o negro tem ocupado na sociedade.

O presente dia não existe para que fiquemos jogados em nossos sofás e camas colocando em dia os episódios das séries que não terminamos de ver, ou estudando desesperadamente para as últimas provas do semestre. Para Nathália Lourenço, aluna do curso de direito do Mackenzie e membro do Coletivo Afromack, o dia de hoje é antes de tudo ”um dia para criar uma mentalidade em toda a população sobre a importância do negro.” Uma vez que, ainda hoje, os negros continuam sendo discriminados, marginalizados, agredidos e muitos continuam sendo preteridos pelo mercado de trabalho.

Em um país miscigenado em que há um discurso de que todos são iguais e de que todos têm as mesmas oportunidades, há a necessidade de que o Dia da Consciência Negra seja celebrado e refletido em toda a nação, pois longe do discurso, no Brasil real, do dia a dia, percebe-se que  a igualdade étnica não é refletida nas condições econômicas, no acesso ao trabalho e à educação e nos locais de poder.

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Matheus de Siqueira Nunes

Um apaixonado por futebol, que assiste basquete semanalmente, joga truco ocasionalmente e tenta viver poeticamente…