Curso de Jornalismo completa 20 anos e promove ciclo de palestras e debates

Colaboraram com a reportagem multimídia: Ana Paula Vitória, Bianca Machado, Gabriel Modesto, Gabrielle Mantovani, Maria Esteves, Mariana Alves, Patrícia Vilas Boas, Thayna Batista e Vitória Campos

Dois dias de um evento que marcou a história do curso. O aniversário de 20 anos do curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie foi comemorado com 14 mesas temáticas sobre os mais diversos assuntos que envolvem a profissão e mais de 30 ex-alunos atuantes no mercado para conduzir as conversas. A terça-feira, 27 de outubro, e a quarta-feira, 28, ficarão marcados também para professores e alunos que acompanharam e participaram.

Logo no primeiro dia, a mesa de economia, que teve início às 9h da manhã, contou com a presença de Bianca Soares (Vert), André Jankavski (CNN) e Juliana Machado (Exame), que compartilharam suas visões e experiências sobre o jornalismo econômico. Para André, participar de um evento como esse é compartilhar conhecimento com os alunos:

Bianca, Juliana e André compartilharam com os presentes seus acertos, erros, dificuldades e incertezas que enfrentaram ao longo de suas trajetórias, e também falaram sobre as melhores escolhas a serem feitas para quem pretende entrar neste mercado em ascensão. Na visão da mesa, o jornalismo econômico costuma assustar um pouco os estudantes e este tipo de bate-papo é importante. Para Juliana, outro item importante é a conexão entre mercado, universidade, professores e alunos.

Na segunda mesa do evento, Bárbara Öberg (Vogue) e Alyssa Saldanha (BCW Global) conversaram sobre moda. As discussões giraram acerca do papel de assessores e repórteres no âmbito da moda e a importância da interligação e bom convívio do profissionais. Alyssa e Bárbara se formaram em 2015 e já chegaram a trabalhar juntas em algumas ocasiões. Aos aspirantes ao jornalismo de moda, ambas concordam com a relevância de se ter um portfólio organizado e estarem atentos aos lançamentos de marcas e às oportunidades da internet. Alyssa destaca a participação positiva dos alunos durante o debate:

Na sequência, Vagner de Alencar (32xSP), Sérgio Spagnuolo (Volt DataLab) e Gabriel Prado (GloboNews) opinaram sobre o futuro da profissão. A mesa, que simbolizou a abertura oficial das comemorações, foi iniciada pelo reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor doutor Marco Túlio Vasconcelos, pela pró-reitora de graduação, professora doutora Janette Brunstein, e pelo diretor do Centro de Comunicação e Letras (CCL), professor doutor Marcos Nepomuceno.

Após breve fala do coordenador do curso, professor doutor André Santoro, Vagner de Alencar contou que queria cobrir educação, mas antes disso fez estágios em assessoria de imprensa, editoria de revistas e televisão, até chegar a organizações com foco educacional e em direitos humanos. Hoje, ele atua na Agência Mural de Jornalismo das Periferias. O projeto cresceu e deu origem a um canal de notícias com publicações diárias e ao podcast “Em quarentena”, além de colaborar com o quadro “Bora SP”, da TV Bandeirantes, com a Rádio CBN e o site 32xSP. Para ele, o jornalismo precisa ser mais heterogêneo e permitir engajar o leitor para que a informação não seja apenas útil, mas o leitor possa participar do processo. 

Sérgio Spagnuolo chamou a atenção para o fato de que existem 60% de municípios no Brasil que não possuem iniciativas de jornalismo (vivem um deserto de notícias) além de ser necessário pensarmos a profissão como propósito, visto que o formato não é mais exclusividade do jornalista. Além disso, devemos também apropriar-nos melhor da tecnologia: “vejo resistência de apropriação das tecnologias atuais. É muito difícil a gente se desvencilhar do que já sabe, mas é primordial investir em profissionais e tecnologias. Podemos nos beneficiar da interdisciplinaridade.”

Gabriel foi o terceiro a falar e afirmou que a política brasileira começou a tomar conta não só do cenário, mas também da população. A internet e as redes sociais começaram a dar voz para muitas pessoas. As pessoas, segundo ele, estão mais ativas politicamente. Cabe ao jornalista, neste contexto, manter credibilidade nos dados jornalísticos e cuidar do propósito que irá nortear e motivar o trabalho do jornalista, que também deve ser multifuncional.

O jornalismo esportivo também marcou presença e foram abordados diversos dilemas e realidades vivenciados na área, desde o início da carreira até a um estágio mais consolidado.  As manifestações políticas no esporte, que ocorreram nos últimos meses não foram esquecidos na conversa, e ocorreu um debate entre os convidados a respeito de como o jornalista esportivo deve se portar em relação a esse assunto. Os convidados destacaram também que uma característica importante do jornalista esportivo é a versatilidade em conseguir abordar diversos esportes de maneira completa.

Filipe Cury (Globo) lembra de quando era estudante e gostava de eventos como este.

Para André Cavalcante (FoxSports/ESPN), é importante que os alunos percebam e entendam como funciona o jornalismo esportivo na televisão. Thiago Fagnani (TV e Rádio Bandeirantes) ficou emocionado ao participar do evento e afirmou ser muito grato à universidade pela formação que recebeu.

Na sequência, o bate-papo sobre política contou com a participação de Marcelo Ribeiro (Valor Econômico), Ricardo Vendramel (Assessor de Imprensa) e Victor Irajá (Veja). Compartilhando suas jornadas e experiências com os alunos, os jornalistas comentaram assuntos de destaque no meio político e responderam a perguntas. Um dos assuntos mais abordados ao longo da conversa foi o cenário de polarização política no Brasil e a importância do jornalismo na difusão de informações para gerar mudanças. Os convidados destacaram também a necessidade do combate às notícias falsas para a manutenção da democracia, além da importância da transparência e honestidade ao abordar assuntos políticos, tornando a informação mais acessível para todos.

Para aqueles que querem trilhar caminho no jornalismo político, Marcelo, Ricardo e Victor concordam que não há receita pronta. Toda experiência é válida e gera novos conhecimentos. É necessário estudar, apurar e se dedicar, além de não ter medo de perguntar e buscar por explicações.

Marcelo Ribeiro, repórter que cobre o legislativo, em Brasília, elogiou o evento e também comentou sobre a mesa.

Citações

Piero Sbragia (Segundas Estorias), Clara Vanali (Às Claras Filmes) e Thiago Mattar (diretor, roteirista e pesquisador de audiovisual) falaram sobre a importância dos documentários para a criação de uma visão mais empática do mundo, essencial para a formação de qualquer jornalista. Cada convidado apresentou um pouco de seus trabalhos e explicou detalhadamente o processo de criação e aperfeiçoamento das técnicas utilizadas.

Para Piero, é importante que o aluno de hoje perceba que pode, ele mesmo, ser o seu próprio canal, sem depender necessariamente de uma empresa.

Para debater a interligação entre jornalismo, publicidade e marketing na comunicação empresarial, Amanda Sthephanie (F.biz), Giovana Zulato (Tutu) e Leonardo Simões (Avellar) formaram a mesa sobre comunicação corporativa. Os ex-alunos relatam a importância de cuidar dos valores da marca de maneira ética, assim como entender a organização que você deseja trabalhar, tendo filtros para a escolha. Os jornalistas destacaram também a relevância do equilíbrio entre a área estratégica, planejamento, produção e redação.

Amanda chamou a atenção para a diversidade, necessária para o jornalismo.

O segundo dia do evento teve início com uma mesa sobre cultura e entretenimento. Para Natália Daumas (Globo), o evento foi importante para apontar aos alunos algumas direções e aproximá-los dos profissionais do mercado:

Além dela, Danilo Gobatto (Rádio Bandeirantes) e Pedro Antunes (UOL) participaram da conversa e abordaram a relação tênue entre o jornalismo cultural e o jornalismo de entretenimento, as diversas áreas de atuação e o sensacionalismo na mídia brasileira. Ambos os convidados deram conselhos sobre como obter sucesso na profissão e discutiram o papel dos influenciadores na área. Danilo Gobatto comentou sobre a importância da bagagem do jornalista de cultura, destacando que cada experiência serve como base para o trabalho. Pedro Antunes deu dicas sobre o jornalismo musical, ressaltando a importância de entender seu próprio texto e ser capaz de, ao ouvir uma música, conseguir escrever sobre ela.

Assessoria de comunicação também foi parte da programação. Bernardo Itri (Federação Paulista de Futebol) destacou a importância da credibilidade para o jornalista e mencionou que os conteúdos trabalhados podem ser tratados de diversas maneiras. Júnia Braga (JB Press House) falou sobre o poder da opinião pública: “subestimar o poder da opinião pública pode ser um erro da assessoria de imprensa, uma boa apuração e todas as colocações são importantes”. Letícia Gouveia (RPMA) chamou a atenção para o fato de os furos estarem fora da redação.

Para debater comunicação digital, foram convidadas Giulliana Martinelli (Íonz), Bárbara Pereira (OESP) e Bruna Maniscalco (ViacomCBS). A mesa buscou apontar possíveis caminhos para o jornalismo on-line, o hibridismo existente na comunicação, a transversalidade nas áreas de atuação, os dados, os algoritmos e a internet como espaço multimídia a ser desbravado. Durante o debate, foi levantada a questão sobre o medo dos jornalistas perderem espaço no meio digital com a ascensão das blogueiras e influenciadores, porém as convidadas concordam que há espaço para todos e que isso não é uma ameaça ao jornalismo.

Giulliana Martinelli ressaltou a importância do profissional de mídia sempre se reinventar e estar atento ao que acontece ao redor do mundo, além de ser fundamental conhecer seu público. Para Bruna Maniscalco, possuir um diferencial é pré-requisito para atuar na área, diferencial este que, segundo Bárbara, pode e deve começar já nos bancos das universidades.

Fred Linardi (Biografias & Profecias), João Batista Jr. (Piauí) e Mariana Ferrari (IstoÉ) colocaram pontos importantes sobre o universo da grande reportagem, como a importância em se ouvir uma fonte com uma boa história. Mariana falou sobre a importância da empatia no momento de realizar uma entrevista, analisar e relatar a reportagem, e enfatizou a necessidade de sair do óbvio para a grande reportagem acontecer. João Batista Jr. ressaltou que uma grande reportagem permite ao profissional transitar por diversos assuntos e aconselha ao jornalista ser curioso, estar apto a escutar e conquistar a confiança da fonte. Nessa linha, Fred Linardi, ressaltou a importância do jornalista em firmar contatos constantes. 

Sobre a formação, Mariana Ferrari afirma que, quantas vezes fizesse jornalismo, optaria pela Universidade Mackenzie.

Outro tema de muita repercussão foi o audiojornalismo e o debate teve a presença de Bruna Barboza (TV e Rádio Bandeirantes), Luiz Nascimento (CBN) e Thomaz Molina (Podcast Veja). A adequação do rádio aos novos tempos, os podcasts, que estão adquirindo cada vez mais popularidade, e o rádio com imagens pela internet foram alguns dos assuntos em pauta. Os convidados acreditam que as novas formas midiáticas de áudio não são uma ameaça direta ao rádio. Luiz Nascimento comentou que o rádio não vai morrer, mas vai se renovando devido à força que o áudio possui, fazendo parte de uma transformação digital, que leva o rádio a uma nova fase.

Ter experiência em rádio é um diferencial positivo, mesmo no mundo dos podcasts, segundo Thomaz Molina. Ele e Bruna Barboza concordam que o profissional que teve contato com o rádio está muito mais preparado para atuar em diversas mídias. Bruna também acrescentou que para trabalhar com rádio não há mais aquela exigência antiga de ter uma voz considerada forte, mas sim vontade de aprender e estar antenado.

Luiz destaca a ousadia de se promover um evento deste porte em meio a uma pandemia e a importância do áudio no jornalismo.

A penúltima mesa do evento abordou o telejornalismo. Natália André (CNN Brasil), Marion Dória (Agência Blaz) e Thaísa Barcellos (Record) iniciaram o debate relatando suas experiências na área e ressaltando a paixão que sentem pelo telejornalismo. O setor de streaming foi um ponto bastante discutido. Para Natália André, cada plataforma fala a sua própria linguagem, uma não invade o espaço da outra. 

Outro assunto comentado foi a adaptação diante da pandemia, com a utilização de máscara, álcool e a prática do distanciamento social. A jornalista Thaísa Barcellos afirmou que a maior dificuldade enfrentada por ela na pandemia, foi levar a notícia do que realmente estava acontecendo sem misturar as emoções. Segundo Natália André, a pandemia a fez entender a importância do jornalismo, um serviço essencial e compreendeu a responsabilidade de ser jornalista.

Marion Dória destaca a alegria em retornar ao Mackenzie, mesmo que virtualmente, depois de tanto tempo, e chama a atenção para a importância do telejornalismo na sociedade.

A mesa Democracia e Jornalismo encerrou o evento. Thiago Domenici (Agência Pública), Luanda Vieira (Vogue Brasil) e Victor Ferreira (Globo News) abordaram assuntos delicados, como o racismo, gêneros, política e ataques aos jornalistas. Na época em que estamos vivendo, segundo os palestrantes, o jornalismo tem que mostrar cada vez mais a realidade. Conselhos, dicas e processos para fazer um jornalismo eficiente deram a tônica da conversa.

Thiago Domenici diz o que o motivou a fazer jornalismo e a seguir um caminho voltado aos direitos humanos.

Emocionada, Luanda destaca o crescimento profissional e a importância da formação em jornalismo para compartilhar seu conhecimento.

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