Com formato híbrido, 3ª edição do “Hey, Digital!” aproxima academia, sociedade e mercado

Assista, ao final do texto de cobertura, o resumo em “videostories” produzidos pelos alunos de Jornalismo e publicados durante o evento no @mackjornalismo (instagram). Vídeos completos de todas as mesas no canal da TV Mackenzie no YouTube!

Por Adriel Gadelha, Anna Beatriz, Beatriz Figueiredo, Domitila Araújo, Enrico Fini, Gabriel David, Gabriel Modesto, Gabrielle Mantovani, Isabella Figueiredo, Julia Wasko, Larrani Guariente, Marcela Cunha, Milena Ogeia, Paola Von Atzingen e Verônica Lopes.

Os dias 23 e 24 de Março foram marcados pela 3ª edição do “Hey, Digital!”, ciclo de palestras e debates cuja proposta é aproximar academia, mercado e sociedade em temas relacionados ao universo da comunicação e da vida digital. Depois de uma segunda edição totalmente on-line, o novo desafio foi oferecer aos interessados um formato híbrido, com a presença física de parte dos palestrantes no auditório e outra parte “on-line”, projetada no telão. Também os interessados estiveram divididos entre os presentes no ambiente físico ou acompanhando a transmissão pelo canal no Youtube da TV Mackenzie.

O painel de abertura apresentou o “colonialismo digital”, que contou com a participação de Sérgio Amadeu, sociólogo, professor e organizador do livro “Colonialismo de Dados: Como opera a trincheira algorítmica na Guerra Neoliberal”, Joyce Souza, jornalista, cientista social e organizadora do mesmo livro, e Débora Machado, pesquisadora, mestra e doutorada pela UFABC e integrante do Podcast “Tecnopolítica”. A mesa foi mediada pela professora Vanessa de Souza Oliveira.

Débora Machado explicou oconceito de colonialismo de dados como “a apropriação da vida por meio da transformação das nossas relações em dados” e fez a relação entre colonialismo territorial ou histórico versus digital, apresentando e se aprofundando nas similaridades entre ambos.

Já Joyce Souza ressaltou a importância dos dados para a economia contemporânea, como a vida social passa a depender da tecnologia e a expropriação de dados para fins lucrativos, de controle e dependência digital, principalmente em relação a países subdesenvolvidos.

Sérgio Amadeu, em sua fala, ressaltou a diferença entre o uso da tecnologia, que é atualmente direcionada para ampliar o poder econômico, político e social de países ricos e empresas soberanas. Em sua conclusão, o sociólogo detalhou a situação do Brasil em relação aos dados de sua população, que depende muito de potências como EUA e China, detalhando a assimetria na obtenção e manutenção de dados entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos.

Na última rodada de conversas, Débora Machado respondeu sobre a infraestrutura das plataformas e a polarização política, dizendo que o monitoramento de conteúdo sempre deixa brechas a certos discursos, que são vantajosos para elas. Sérgio Amadeu respondeu sobre a seletividade nas plataformas digitais em relação à moderação de discursos e posts políticos. O participante sugeriu seu texto “Democracia e os códigos invisíveis”, também, o Podcast “Tecnopolítica”. Sugeriu, também, os autores Fernanda Bruno, Rafael Evangelista, André Lemos, entre outros.

Ao final do painel, o professor Carlos Sandano enfatizou a necessidade de mais pesquisas na área e mencionou as múltiplas possibilidades em relação ao código.  

A segunda mesa temática do Hey, Digital!, mediada pela professora Patrícia Paixão, contou com a presença de Bárbara Pereira, social media na CNN Brasil, Issaaf Karhawi, jornalista, mestre e doutora em Ciências da Comunicação pela USP, e Diandra Santos, head de influencers, empreendedora e criadora de uma agência de marketing de influência.

A mesa teve início com um debate sobre a questão do cancelamento e como ocorre de forma rápida e fácil. A partir do momento em que uma pessoa se torna influencer digital, sua vida fica pública e, com isso, qualquer pessoa pode se colocar no direito de opinar acerca das ações e decisões da pessoa.

Dentre as falas debatidas, os presentes ouviram que ninguém nunca será capaz de agradar a todos e, por isso, com a escolha de virar um influenciador deve haver a consciência de que um acompanhamento psicológico é essencial, acima de tudo para aprender a lidar com o ódio recebido de forma profissional.

Outro ponto importante foi a produção de conteúdo e de como é necessário lembrar que os acertos vêm depois de muita tentativa. De acordo com a mesa, ninguém começa sabendo o que fazer e não há uma fórmula para fazer dar certo. É preciso entender seu público e estar sempre ativo, aliás “pessoas se conectam com pessoas”, afirmou Diandra Santos, e é a sensação de proximidade que muitas vezes faz com que alguém consiga crescer nesse meio.

A terceira mesa do evento foi mediada pelo professor Anderson Gurgel. A palestrante convidada Beth Romero, ex-aluna da UPM, jornalista e produtora de conteúdo do projeto Se Joga Beth, e os jornalistas Álvaro Leme, criador do canal do Youtube CanAlvaro, e Jeferson Gonçalves, gerente criativo do Cartoon Network América Latina na WarnerMedia, conversaram sobre Entretenimento e Mídia. Em um primeiro instante, os convidados se apresentaram e debateram sobre seus vínculos com o tema principal.

Beth Romero relembrou de seu tempo como estudante de Direito na Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), e a relação com o esporte dentro da faculdade, expondo seu papel na fundação da equipe de atletismo feminino da UPM. A jornalista explica que descobriu sua vocação na área do audiovisual diante de todo o seu trajeto no Esporte e no Direito. Já Jeferson Gonçalves revelou o fascínio por ouvir e contar histórias desde o Ensino Médio, quando descobriu seu anseio em ser um comunicador. Álvaro Leme relatou a mudança de pensamento em relação a sua carreira. O jornalista encerrou seu podcast Debates Inúteis ano passado em razão do programa não seguir o caminho que sua vontade criativa pretendia alcançar e produzirá um novo podcast.

Um dos assuntos abordados no painel foi a maneira como os palestrantes transformam entretenimento em conteúdo. Os três convidados concordaram que a melhor forma é entregando aquilo que o público quer consumir, equilibrando diversão com utilidade e produzindo um entretenimento com serviço, termo usado por Beth Romero. “O que eu posso levar ao consumidor além da informação, que é obrigatória?”, questionou a jornalista. 

Outro tópico trazido por uma pergunta da plateia foi a linha tênue entre fazer entretenimento e jornalismo. Álvaro Leme ressaltou que “não é o assunto que faz um bom jornalista, mas a seriedade e preparação com que ele cobre tal assunto”. Jeferson Gonçalves concordou e acrescentou: “O entretenimento, apesar de possuir uma visão lúdica, é produto de trabalho feito por uma equipe responsável e competente”. 

O mediador professor Anderson Gurgel finalizou a mesa com a questão “Para onde vai o entretenimento no Metaverso?”, abrindo discussões entre a plateia e os convidados e demonstrando que este assunto não se esgota.

A mesa de encerramento do primeiro dia de evento tinha a proposta de debater as tendências da publicidade digital e contou com a mediação do professor Lelo Brito. Para o painel, os convidados foram Filipe Crespo, publicitário, professor, sócio e diretor de mídia da CreativoBR, Alfredo Mota, fundador da agência publicitária Namosca, focada no público jovem, e Paulo Silvestre, jornalista com especialização na comunicação digital desde 1995, consultor e palestrante de mídia, cultura, transformação digital e customer experience. Paulo e Filipe também fazem parte do corpo docente de pós-graduação do Centro de Comunicação e Letras (CCL) da UPM.

Filipe Crespo iniciou a conversa abordando a forma como o Brasil se digitalizou, apesar da desigualdade social, e como isso impactou de forma geral, a dinâmica de vendas das marcas.

O publicitário comentou que a presença digital de uma empresa é mais que obrigatória, atualmente: “se uma empresa não está na internet, ela não existe.” Ressaltou, assim, a importância das mídias sociais para as empresas. Comentou ainda que elas funcionam como um canal de comunicação entre a marca e o público. 

Em seguida, Paulo Silvestre começou a sua fala comentando sobre como seria a pandemia se ela tivesse ocorrido há 20 anos. “Seria uma situação dramática, porque há 20 anos as empresas sequer tinham computadores. Ainda bem que isso não aconteceu.”

O professor e consultor comentou ainda que as empresas passaram por uma transformação tecnológica muito rápida durante esses dois anos. A principal mudança que ocorreu neste tempo para as empresas foi a forma com que elas se relacionam com o público. Esse relacionamento ocorreu através das mídias sociais, e acrescentou que essa mudança veio para ficar.

Alfredo Mota apresentou o porquê de o marco tecnológico, ocorrido em 2010, ser tão importante para a publicidade. Comentou também sobre os 4Ps da publicidade e disse que o principal desafio atual para o mercado publicitário é produzir uma peça, por exemplo, para o YouTube, de duração de três segundos e convencer o telespectador a assistir. Isso ocorre devido à quebra da relação de tempo e espaço vindos da pós-modernidade.

Ao final, o professor Lelo Brito propôs um questionamento sobre qual seria o futuro das redes sociais. Paulo e Alfredo responderam na direção de que o mais importante não é trabalho com a ferramenta, mas o trabalho com pessoas. Filipe, comentou que a ferramenta é importante e que redes sociais sempre foram sobre pessoas. 

No segundo e último dia do Hey, Digital!, a mesa de abertura teve como tema “Eleições 2022: Bastidores das Campanhas Eleitorais na Internet”. O mediador do debate foi o professor Roberto Gondo, que recebeu os convidados Marcelo Soares, um dos pioneiro do jornalismo de dados no país e responsável pelo estúdio de inteligência de dados Lagom Data, Sérgio Denicoli, jornalista e pesquisador da Universidade do Minho, em Portugal, e também CEO da AP Exata, e Tayná Rudge, head de monitoramento digital e community manager da Social QI, tendo trabalhado diretamente para várias campanhas políticas, como a de João Dória em 2018.

Para abrir a conversa, Sérgio ressaltou a adaptação e a importância da Internet na política atual, sendo o principal veículo de comunicação com o eleitorado e de propagação de campanhas. Além disso, mostrou e analisou números sobre aceitações e interações de candidatos com as redes sociais. 

Na sequência, Tayná explicou sobre a importância do monitoramento de menções sobre candidatos para análise de dados, conseguindo, assim, traçar um plano com o intuito de que eles interajam com seus eleitores e tenham cada vez mais aprovação de seu público-alvo. 

Marcelo, quando teve a palavra, apresentou uma visão diferente usando a coleta e análise de números para confrontar candidatos e expor as empresas e doadores que os financiam. Além disso, exaltou a importância destes dados para a obtenção de informações com intuito de agir em questões sociais e combativas contra o apagamento da história desses materiais. 

Quando foram abertas as perguntas dos presentes, presencialmente ou pela internet, Tayná foi questionada sobre a mudança de comportamento dos candidatos nas redes sociais e explicou que, atualmente, as utilizam como principal veículo de campanha. Os participantes também responderam em conjunto sobre as redes sociais e as formas de utilização de dados para as campanhas de 2022. Neste momento, o professor Sérgio Denicoli aproveitou para trazer a problemática dos robôs espalhadores de fake news e ódio nestes meios, além de salientar a falta de recursos que o TSE ainda tem para combater esses bots.

A sexta mesa mediada pelo professor Paulo Ranieri reuniu os jornalistas Guto Ferreira e Gustavo Brigatto para abordarem o tema “Empreendedorismo e Start-Ups”. Guto Ferreira é pós-graduado em Gerenciamento de Projetos pela FGV-SP, já coordenou a área de empreendedorismo da Prefeitura de São Paulo entre 2010 e 2013, e, hoje, atua como colunista da Veja e estrategista chefe na Brain Consultoria. Gustavo Brigatto é jornalista de negócios com quase 20 anos de experiência. Atualmente, é fundador e editor-chefe do StartUps.com.br, um portal de notícias para quem tem interesse em acompanhar o mundo das StartUps e dos investimentos.

Para iniciar, Guto explicou que StartUp é uma empresa nascente com base tecnológica, na qual é possível prototipar mais vezes, utilizar metodologias ágeis, trabalhar cenários de forma mais intensiva, buscar o uso de tecnologia no desenvolvimento do negócio e aproveitar o boom da Era Digital, na qual ele apelida de “Idade Mídia”. Gustavo, também em sua fala inicial, complementou que o StartUps.com.br chegou em 2020 para criar as bases de pessoas que entendam e saibam o que está acontecendo, ajudando, assim, o mercado a florescer, porque, para isso, além de dinheiro e talento, é necessário conhecimento.

Durante a palestra, o mediador Paulo Ranieri questionou os convidados sobre como fazer o investimento dar certo. Para Gustavo, o grande segredo é não ter medo de perder seu dinheiro. Além disso, os palestrantes deram outras dicas: conversar com as pessoas certas, buscar concorrência, buscar clientes e conectar-se com eles, ouvindo suas dores e desejos, e fazer pesquisas. Após esses passos, “é criar e torcer para que seu investimento dê certo”, disseram.

Na sequência, foi discutida a existência dos unicórnios, termo criado para designar startups avaliadas em pelo menos 1 bilhão de dólares. Guto Ferreira diz que se sente feliz em vê-los nascendo, mas não gosta da cultura do unicórnio, ou seja, pessoas que querem fazer suas startups atingirem esse nível sem ao menos ter o conhecimento necessário. Isso porque, a partir dos fatores que o empreendedor manipula, existe uma série de condições intangíveis fora do controle do mesmo, como a mudança brusca no mercado, uma pandemia ou até mesmo uma guerra. “Não tente ser um unicórnio de cara, comece pelo feijão com arroz e faça dar certo”, finaliza o estrategista. 

O sétimo painel do evento foi “Literatura e Linguagem em Meios Digitais”, e teve como mediador o professor Cristhiano Aguiar. A mesa contou com a presença de Ana Lúcia Trevisan, Alexandre Bueno, Alleid Ribeiro e Maria Elisa Moreira, todos professores do Programa de Pós-Graduação em Letras da UPM.

A mesa foi dividida em quatro partes em assuntos que se relacionam. O professor Alexandre comentou sobre a representação dos imigrantes nos meios de comunicação digitais e sobre os estereótipos que os retratam: em fotos, por exemplo, eles estão sempre em situações precárias e escondendo o rosto. Alexandre comentou também sobre o site  “Rostos da Imigração”, que utiliza a “voz” do imigrante de uma forma diferente, contando suas histórias como forma de superação.

Na sequência, a professora Alleid apresentou o feminismo midiático e a Chick lit, gênero literário que ganhou força nas redes sociais e atrelou-se à quarta onda do feminismo. A professora comentou sobre as diversas comunidades literárias com vieses feministas que são formadas com a intenção de discutir pautas interativas para as mulheres e sobre as mudanças de atitude, no século 19, que deixam de lado uma “passividade”, e passam a assumir a fala e o discurso público.

A professora Ana Lúcia deu continuidade à mesa falando sobre os novos territórios da literatura e comentando sobre os escritores e leitores das redes sociais. Ana mencionou que esses escritores seguem uma narrativa ampla, tendo em seus perfis uma mistura de literatura com vida privada. Para isso, analisou os perfis de Conceição Evaristo, Raphael Montes, Milton Hatoum, Veronica Stiguer e Itamar Vieira Junior. A professora finalizou dizendo que, com a literatura vinculada às redes sociais, houve uma ruptura com aspectos hegemônicos da leitura, do debate e do consumo literário.

Por último, a professora Maria Elisa comentou sobre vizinhanças intermidiáticas em séries televisivas dando enfoque na série “Penny Dreadful” e suas interpolações literárias e cinematográficas, além de comentar sobre o cuidado com a produção, iluminação e montagem na abordagem estética, pois televisão também é arte. Maria Elisa apresentou ainda a sua base de referências para as pesquisas que realiza e a relação com estudos de convergência midiática e transmidialidade.

A última mesa da terceira edição do Hey, Digital! contou com a mediação do professor Rogério Bandeira e com as participações de Edward Pimenta, jornalista, escritor e atualmente diretor do estúdio de branded content (Glab) da editora Globo, além de professor na pós-graduação em Marketing de Conteúdo na UPM; Rafael Sbarai, jornalista e mestre em tecnologia e mercado, head de produto e operações do Cartola Express, do Grupo Globo; e Matheus Eurico, publicitário, analista técnico da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) e especialista em estratégia e inovação, fundador da cleantech H2uP e consultor da Insenna Story Telling Consultoria.

A mesa teve início com a apresentação de cada convidado e comentários sobre a trajetória profissional no contexto da pandemia da Covid-19. Rafael Sbarai começou dizendo que, independentemente da pandemia, algumas situações já aconteceram, como a passagem do jornalismo por um processo de mudança no contexto digital. O profissional comentou ainda que, se estivesse na graduação hoje, estudaria também programação e edição de vídeos: “atualmente, toda empresa de mídia tem que ser também uma empresa de tecnologia”. Sbarai também alertou para a importância da educação continuada. 

Na mesma linha, Matheus comentou que a conexão entre comunicação, inovação e educação continuada está embasando a cultura atual do mercado de trabalho. Disse ainda que a digitalização está em diferentes âmbitos e que, muitas vezes, o assunto fica no espectro da soberania nacional.

Na sequência, Edward Pimenta afirmou que vivemos o momento mais fascinante para trabalhar com comunicação. Disse também que sempre vamos precisar do bom jornalismo. Usou como exemplo a cobertura jornalística da covid-19. A visão de Edward é cautelosa e otimista em relação a nossa trajetória e formação, e as possibilidades para o futuro.

O professor Rogério perguntou como cada um dos palestrantes enxerga o mercado comunicacional daqui a 10 anos. Para Rafael, seria muita presunção definir corretamente, mas comentou que empresas com modelos de negócios claros serão mais sustentáveis. Matheus comentou que a educação continuada e a formação acadêmica garantem uma segurança mínima para essa pergunta, que é difícil de responder e Edward afirmou que, apesar do costume com a instabilidade, a impermanência com as diversas situações que afetam o mundo, algumas coisas já estão consolidadas e o bom jornalismo é uma delas. Segundo ele, o digital trouxe profundidade ao democratizar a informação e ajudar a criar, de certa forma, um senso crítico vindo do público. Assim, diz Edward, bons profissionais podem ajudar a criar uma boa tribuna das marcas com o público.

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