Cobertura do primeiro fim de semana na Bienal do Livro

Cobertura do primeiro fim de semana na Bienal do Livro

No meio do caminho tinha um caminhão

De Loyola Brandão e escritoras internacionais à literatura de cordel, cultura indígena e muito, mas muito, músculo para aguentar todos os metros quadrados de Pavilhão do Anhembi, foi regado o domingo do primeiro final de semana da Bienal do Livro de São Paulo, edição de 2016.

Não dá para negar que o setor da livraria Saraiva é o mais imponente de todos, formando um corredor entre seus dois stands que compõem um único (sim, confuso). A maioria de seus preços estavam razoavelmente abaixo da média. Paredes ornamentadas com um quadro branco de palavras cruzadas, um local em formato de coração para colar post-its com recadinhos escritos por você mesmo e um imenso Trono de Ferro baseado na série da HBO, Game Of Thrones, somados à uma localização estratégica na entrada dos visitantes, contribuíram para o fluxo de pessoas naquele específico corredor.

Mais para trás, porém não menos importante, um também grande stand da Turma da Mônica vendia gibis personalizados, e demonstrava, com desenhistas de plantão, o processo da criação de alguns desenhos.

O stand da Rocco, que imitava a famosa plataforma 9¾, da saga Harry Potter, também não obteve um minuto de respiro, as filas para tirar fotos com as malas características do filme eram intermináveis, e os livros vendiam como água. Clarice Lispector era o segundo foco do stand, com um espaço dignamente decorado, a coleção de seus livros inteiramente presente e o último lançamento, Todos Os Contos, recolhidos pelo americano Benjamin Moser, posicionados para a ida às sacolas.IMG_9863

Além do show visual oferecido pelas empresas e editoras, outros stands, menores, ofereciam uma gama de interaçõesbem forte. Ignácio de Loyola Brandão, vencedor dos prêmios Jabuti (2008) e Machado de Assis (2016), estava presente, além do professor e filósofo Mario Sérgio Cortella, autografando seu mais novo livro, Por Que Fazemos O Que Fazemos.

Poderia descrever cada stand minuciosamente, porém o texto ficaria uma chatice, então parto para uma história muito mais interessante. No meio do caminho tinha um caminhão, e ele se chamava BiblioSesc. Um projeto de biblioteca móvel que atende, com a ajuda de muitos envolvidos, dez bairros por caminhão, levando títulos desde A Turma Da Mônica até Nietzche para os cidadãos. E tudo isso de graça.

Não só bairros da cidade de São Paulo que são atendidos, também cidades metropolitanas como Osasco e Franco da Rocha podem usufruir dos 15 dias de empréstimo pelos livros, já que o caminhão passa quinzenalmente em cada ponto proposto, por 6 meses seguidos. Além dos outros estados atendidos pelo Brasil.

Existente desde 2009, foi implantado inicialmente no bairro de Itaquera e Interlagos. “Contação de histórias, mediação de leitura, cada caminhão tem seu projeto mensal. Atendemos calçadões, escolas EMEI e EMEF”, esclarece Gustavo Barreto, 40 anos, sobe o itinerário diário do caminhão que ele é responsável. Cada operação conta com dois motoristas e duas contadoras de histórias para o atendimento ao público.

Sobre o retorno que eles recebem desse trabalho, não é necessário dizer que a resposta vem com um sorriso no rosto. Segundo Valdeci dos Santos, 46 anos, “Têm pessoas que começaram a pegar livros com a gente há cinco anos, quando o projeto começou, e eles trazem sugestão de livros. Têm crianças de oito anos que começaram a ler aqui com a gente, iam para a escola, mas pegavam livro com a gente, e agora estão subindo de nível, pegam livros mais amplos, e a gente se sente muito gratificado”, completa ele.

No meio do caminho tinha um caminhão, mas ele não era um obstáculo, Drummond. IMG_9895