Churrasco na laje garante união de cariocas durante a Olimpíada

Que a arte de “queimar uma carne” está presente no DNA do brasileiro não é novidade. No entanto, o que para muitos pode ser apenas um programa eventual, é parte do dia a dia da vida do carioca. Nas favelas ou no asfalto, tudo é motivo para o morador da cidade maravilhosa celebrar – e churrasco é o must-have dessas comemorações.

Organizador do churrasco na laje durante a Olimpíada
Romeu Soares, 57, morador da favela do Pavão-Pavãozinho.

Com as Olimpíadas acontecendo na cidade do Rio de Janeiro, o bom e velho churrasquinho se tornou o motivo perfeito para Romeu Soares, 57, reunir vizinhos e familiares na laje de sua casa, no alto do morro do Pavão-Pavãozinho, zona sul da capital carioca. “Se a gente já fazia muito churrasco antes, agora fazemos muito mais. A gente se reúne, junta a galera toda, toma aquela cervejinha e ainda por cima assiste nosso Brasil brilhar. É a vida que pedi a Deus”, conta.

Apesar de comum, o churrasco na laje do Sr. Romeu tem um grande diferencial: a vista do alto do morro, que dá de presente a todos os seus convidados o aprecio da belíssima paisagem da praia de Copacabana. “Apesar de aqui ser favela, basta eu acordar todos os dias e abrir minha janela que eu já dou de cara com esse mar, bem aqui na minha frente. Só isso já faz tudo valer a pena”, diz.

morador do morro preparando churrasco na laje durante a Olimpíada
Alan Farias é o responsável pelo tempero e preparo da carne.

O jogador de futebol Alan Farias, 28, conta que o evento acontece de forma casual e sem planejamento algum. “Na maioria das vezes, a gente acorda com algum compadre chamando pela janela e perguntando se ele pode fazer churrasco aqui em casa, e a resposta é sempre sim”. Para ele, o único requisito é que cada um traga um prato diferente. “A gente cede a casa e divide as despesas, tudo numa boa, é por isso que aqui no morro todos somos uma família”, conta.

churrasco na laje durante a Olimpíada
Vista para a praia de Copacabana é um “bônus” para moradores do morro.

Para o turista das Olimpíadas que realmente quer mergulhar no espírito carioca, já não basta apenas ir à praia, tomar água de coco ou conhecer os típicos pontos turísticos da cidade – agora, também se faz necessário experimentar o churrasquinho na laje das comunidades, que também se tornaram parada obrigatória.

Chance única 

Durante a Olimpíada, de 5 de agosto a 21 de agosto, 17 alunos de jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) estão sendo enviados aos Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro, com todas as despesas pagas. O projeto conta com a participação da Arizona State University, da Ball State University e da Queens University of Charlotte, localizada na Carolina do Norte e que possui origem Presbiteriana. Eles estão cobrindo os Jogos Olímpicos Rio 2016, e também todo o movimento social que envolve a cidade do Rio de Janeiro e os movimentos sociais em decorrências aos jogos. Essa matéria foi escrita por uma participante do programa.

 

 

Texto por: Amanda Sampaio.