Campeões na Vida

Pela primeira vez na história olímpica, uma equipe de refugiados pode disputar os Jogos Olímpicos.

Os primeiros Jogos Olímpicos na América do Sul trouxeram um fato inédito: um grupo formado por 10 refugiados de quatro distintos países pode competir apresentando a bandeira do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Após fugir de guerras, conflitos e muito sofrimento em seus países, a equipe mostra ao mundo que vencer vai além de um recorde a ser batido e pódios a serem conquistados. Sudão do Sul, Síria, República Democrática do Congo e Etiópia competem nessa Olimpíada em três esportes: natação, atletismo e judô.

“Para nós, tudo começou há apenas alguns meses, então não podemos comparar nossas performances à dos atletas de alto nível, mas vamos tentar o nosso melhor resultado”, disse à Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) a corredora do Sudão do Sul, Rose Nathike Lokonyen, que na cerimônia de abertura do Jogos Rio 2016 carregou a bandeira do COI.

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Para o Professor Doutor em sociologia Rogério Baptistini que ministra aulas nos cursos de administração e economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a disputa de um time de refugiados sob bandeira do Comitê Olímpico Internacional é mostrar para o mundo o flagelo que acontece em muitos territórios onde os seres humanos estão sendo atacados ou ofendidos em seus direitos humanos essenciais.

Yusra Mardini

A atleta síria de 18 anos, Yusra Mardini, há um ano nadou três horas e meia em mar aberto junto com sua irmã carregando um bote com 18 pessoas a bordo para sobreviver. A situação em seu país fez com que a nadadora e sua irmã desistissem de viver em meio ao caos da Guerra da Síria.

O tempo de Yusra foi de 1:09.21s na classificatória dos 100m borboleta e a fez vencedora de sua bateria, mas não o foi suficiente para chegar a uma semifinal olímpica. Apesar de seu desempenho, a menina tão nova já fez sua história nos Jogos e é uma campeã na vida.

“A Olimpíada é um evento de grande visibilidade global e ao permitir que um grupo de refugiados se abriguem sobre uma bandeira que está acima dos países e se apresentem para esse público, nós estamos denunciando os abusos contra a dignidade humana”, conclui Baptistini.

Texto escrito por: Ana Júlia Paloschi