Especial Moda e Economia: Brechós

Já parou para pensar em como a moda afeta a economia? Foi com essa pergunta em mente, que preparamos uma série especial de post. Durante os meses seguintes, você poderá conferir textos sobre moda e economia.

Nosso primeiro post é sobre Economia Colaborativa, tendo como foco principal os brechós! As alunas do 6º semestre de jornalismo, Gabriela Cesario e Letícia Imperador, abordam como em tempos de crise os brechós – com pontos fixos e onlines – são ótimas opções para estar na moda.

 

Brechó é o mercado mais crescente de economia colaborativa

Durante instabilidade econômica, os brechós aparecem como fonte barata de peças fashionistas

Em tempos de crise, mudanças são necessárias: cortes de gastos em diversos setores são feitos visando uma maior economia pessoal. É nesse cenário que nos deparamos com uma boa alternativa quando o assunto é estar na moda, os brechós. 

Brechós são modelos de economia colaborativa

Comuns na Europa e nos Estados Unidos, os brechós estão ganhando cada vez mais espaço no Brasil, tendo a cidade de São Paulo como o maior centro de referência no assunto. A região central da capital paulista é o local que mais abriga espaços de garimpos de peças. Só na Rua Augusta podemos encontrar uma variedade de brechós, como o B. Luxo e  Frou Frou Brechó.

Se antes os brechós eram sinônimo de mofo e naftalina, hoje são de economia. Estima-se que compras feitas em brechós possibilitam economia de 80% em relação às feitas em lojas de roupas novas. Tendo a crise financeira e internet como seus maiores aliados, os brechós são uma forma barata de estar renovando o armário.

Gabriela Diples, 23, biomédica, encontrou por meio do brechó online Enjoei, uma maneira simples e fácil de comprar e também vender peças usadas  que estão paradas no armário. O portal online é um tipo de economia colaborativa, que segundo Diples é um diferencial quando a dificuldade financeira bate à porta, pois “podemos comprar um produto de marca por um preço mais acessível”.

A usuária do Enjoei, acredita que este modelo de economia colaborativa ganhará cada vez mais espaço no mercado, pois além de ser econômico e prático, também é bastante rentável para quem resolve investir em um negócio online. Mas ressalta que como vendedora, esbarra em algumas dificuldades, como o preço do frete, que é sempre muito alto.

Divididos muitas vezes por categorias – Mercado de Luxo; Moda Feminina, Masculina e Infantil; Acessórios –  os brechós estão mudando o mercado comercial da moda brasileira e há quem acredite que afeta de maneira negativa o comércio tradicional de roupas.

Modelista da Reserva Natural há mais de 10 anos, Luciene Vilella, 47, possui opinião diferente da maioria das pessoas: “Eu não acredito que os brechós afetem as lojas tradicionais, mesmo sendo crescente não é algo muito usual. A procura é maior por pessoas que não tem um poder aquisitivo muito bom.”

Logo Reserva Natural
Estilista da Reserva Natural, Luciene Vilela comenta sobre economia na moda

Luciene é moradora da cidade de Passos (MG) e pontua que os compradores de lojas de garimpos em Minas não são tão antenados com o mundo da moda quanto os que compram nos brechós paulistas. Lá os que entram em lojas de roupas usadas são aqueles que realmente necessitam de peças com preços acessíveis, por isso o balanço de vendas das marcas mineiras tradicionais não está no negativo.

A maior parte do público que frequenta os brechós na capital paulista são universitários e pessoas que buscam uma forma de economia. Mesmo assim, seu maior público é são os chamados ‘fashionistas’, como afirma Luciene: “A moda é uma releitura de tudo que já se usou, então pessoas que realmente se identificam ou trabalham com esse mundo, sabem o que está em alta e o que pode ficar. São eles que vão procurar essas peças de garimpo, e mesmo não sendo um número tão grande de pessoas, essa prática só tende a crescer com o passar do tempo”.

Os brechós também são considerados forma de empreendedorismo, uma prática crescente no país devido a taxa de desemprego crescente  –  que alcançou 13,7% no último trimestre, segundo o IBGE.

As vendas de roupas usadas, além de serem uma saída para quem está desempregado, são vistas como alternativa que pode se tornar um  empreendimento lucrativo e de sucesso.

enjoei 😛 – brechó online

O empreendedor precisa avaliar o que está em falta no mercado de garimpo e buscar se destacar oferecendo o que público procura.

 

Texto por Gabriela Cesario e Letícia Imperador

Gabriela Cesario
Apaixonada por moda e por tudo que envolva este universo - acho que até mais do que sou pelo Palmeiras. Adepta do "menos é mais"!