Brasileiros que vivem no exterior falam sobre a pandemia em outros países

Por Bianca Machado e Gabriel Modesto

Que o coronavírus atingiu todos os cantos do mundo, nós sabemos. Agora, em que proporções e como cada país se organizou para combatê-lo, é uma questão. A RV reuniu três experiências de brasileiros que moram no exterior, em três diferentes continentes (Estados Unidos, Alemanha e Israel), para contar como está a vida e a rotina em cada canto do mundo durante essa crise. 

Nathally Christina de Almeida Pinheiro tem 28 anos e, para ela, os primeiros meses foram incomuns. A brasileira, que está morando em Virginia, nos Estados Unidos, conta que passou os três primeiros meses em quarentena junto com a família estadunidense, com quem mora.

Ela chegou aos EUA em abril de 2019, quando ainda não existia a pandemia, para trabalhar como au pair (relativo ao trabalho de babá ou cuidadora). De lá para cá, sua rotina e trabalho não foram afetados, pelo fato de morar na casa onde trabalha.

Nos EUA, cada Estado tem autonomia para enfrentar a pandemia e, na Virgínia, já foram contabilizados mais de 10 mil mortes. Em contrapartida, a campanha de vacinação, que inicialmente foi feita em etapas, progrediu rapidamente e grande parte da população foi vacinada. Nathally relata que já tomou as duas doses da vacina.

Do outro lado do Atlântico a situação é um pouco diferente. Luísa Tunger Koprowski conta que a Alemanha já passou por dois lockdowns durante essa crise. A paulistana de 19 anos se mudou sozinha para Munique, em julho de 2020, já em meio a pandemia, com o objetivo de fazer intercâmbio. 

Assim que chegou ao país, cumpriu uma quarentena obrigatória e, logo em agosto, as aulas começaram a ser presenciais, mas com o uso de máscara em lugares fechados e distanciamento social. Ela conta que, ao chegar, a “vida estava praticamente normal”, porém, em dezembro, período em que começou o segundo lockdown, as aulas voltaram para o ensino remoto.

Já no Oriente Médio, Patrick Zimermann, 45 anos, conta a experiência vivida em Raanana, cidade que fica a 15km Tel Aviv, local onde se concentra o maior número de brasileiros em Israel.

Logo no início da pandemia, o governo isralelense adotou o lockdown em todas as regiões e também blitz para a checagem de circulação de pessoas, permitindo que cidadãos pudessem apenas se distanciar 500 metros de suas casas, com multas para quem desrespeitasse as medidas, que variaram ao equivalente a 500 a 5 mil reais. Além dessa medida, o governo proporcionou às pessoas registradas, que não conseguiam trabalhar, o pagamento de 100% de seus salários.

Patrick, desenvolvedor de aplicativos, continuou trabalhando em casa e sua esposa, por trabalhar no serviço essencial de produção de medicamentos, seguiu saindo para trabalhar. Já seus filhos acabaram sofrendo um impacto devido ao ensino à distância.