Ayrton Senna: 24 anos desde a partida de um campeão

Há 24 anos, um herói brasileiro deixava seu povo. Ayrton Senna, além de um grande piloto e inclusive considerado por muitos o melhor da história, foi um grande homem. Sua humildade e desejo de aprender cada vez mais conquistaram não apenas os brasileiros, mas também amantes do automobilismo do mundo inteiro.

Senna começou no automobilismo aos quatro anos, quando ganhou um kart feito por seu pai com um motor de máquina de cortar grama. Sua habilidade impressionou a família rapidamente.

Aos treze anos, em 1973, o menino começou a competir oficialmente. Quatro anos mais tarde, ganhou seu primeiro campeonato sul-americano, que viria a conquista-lo também em 1980. Além disso, foi campeão brasileiro em 1978, 1979 e 1980, campeão paulista em 1974 e 1976, e vice-campeão mundial em 1979 e 1980.

Ayrton Senna em um carro de Fórmula Ford

No final da década de 70, Senna começou a competir na Europa e, logo em 1981, conquistou o campeonato inglês de Fórmula Ford 1600. Na temporada seguinte, venceu o campeonato europeu e britânico de Fórmula Ford 2000. Por fim, em 1983, seu último ano antes de se tornar um piloto da Fórmula 1, foi campeão do campeonato inglês de Fórmula 3.

Ayrton já se mostrava um piloto muito promissor, e por isso foi contratado pela Toleman para disputar o campeonato mundial de Fórmula 1 de 1984. Seu carro não lhe dava condições de disputar as primeiras posições do grid, mas com todo seu talento, Senna conseguiu um grande feito logo em sua sexta corrida, em Mônaco. Largando da 13aposição, assumiu a segunda colocação na 19volta e começou a ameaçar a liderança de Alain Prost volta por volta, tirando cada vez mais a diferença. No entanto, devido à chuva intensa, a corrida foi interrompida e Ayrton ficou com a segunda posição. Naquele ano, ele ainda ficaria em dois pódios.

Na temporada seguinte, em uma nova equipe, ele deixou de ser uma promessa para se tornar uma realidade. Em sua segunda corrida pela Lotus, veio o primeiro triunfo na Fórmula 1: a vitória no Grande Prêmio de Portugal, quando fez a pole position e conseguiu segurar a primeira colocação durante a corrida. Ayrton ainda ganharia o GP da Bélgica em 1985.

Senna pilotando o carro da Lotus

Nos anos seguintes, ele continuou crescendo e progredindo enquanto piloto. Venceu o GP da Espanha e dos Estados Unidos em 1986, e o Grande Prêmio de Mônaco e novamente o GP dos Estados Unidos em 1987. Embora tenha vencido algumas provas, seu carro não era capaz de lhe dar o título mundial.

Por isso, em 1988, Senna assinou contrato com a McLaren, a melhor equipe da época, e se tornou companheiro de Alain Prost. No decorrer do ano, os dois se alternaram no lugar mais alto do pódio, mas quem levou a melhor foi o brasileiro. Na penúltima etapa do ano, no Japão, Ayrton Senna precisava da vitória para se consagrar campeão mundial pela primeira vez. No entanto, um erro na largada o colocou na 14aposição e o obrigou a se superar mais uma vez. Ao final da corrida, ele se tornou campeão mundial de 1988 após vencer o GP do Japão.

Nos anos seguintes a rivalidade entre Senna e Prost ficou mais acirrada. Segundo Ron Dennis, Chefe de Equipe da McLaren, derrotar um ao outro acabou se tornando bem mais desafiante que derrotar o resto dos pilotos. O campeonato de 1989 estava muito disputado, e o campeão seria novamente conhecido no Japão. Desta vez Senna estava atrás, e por isso precisava vencer a etapa para adiar a disputa para a última corrida do ano. Porém, em uma tentativa de ultrapassagem de Ayrton sobre Prost, os dois acabaram se chocando e saindo da corrida. O brasileiro ainda tentou voltar à pista e terminar a etapa, mas foi desclassificado posteriormente. Com isso, Prost foi o campeão de 1989.

Na temporada seguinte, o francês se transferiu para a Ferrari, e as portas para o bicampeonato mundial se abriram para Senna. Mais uma vez, a terceira seguida, o título seria decidido em terras japonesas. Contudo, se Prost não terminasse a corrida, o brasileiro seria campeão. Na primeira curva, Ayrton tentou ultrapassar Prost e os dois bateram e saíram da corrida. Assim, o brasileiro venceu o título mundial daquele ano.

Ayrton guiando a McLaren em sua condição climática preferida: a chuva

Em 1991, para John Bisignano, comentarista da ESPN, Ayrton Senna fez sua melhor temporada. Com grande intensidade e um pouco mais de crescimento interior, ele pôde conquistar seu terceiro campeonato mundial de Fórmula 1. A melhor história desse ano foi em Interlagos. Ele nunca havia vencido o Grande Prêmio do Brasil. Na ocasião, liderava a corrida com folga até as sete voltas restantes, quando a caixa do câmbio emperrou e ele foi obrigado a terminar a etapa dirigindo apenas na sexta marcha. Sua primeira vitória em casa lhe rendeu até espasmos musculares após a corrida, por conta do desgaste extremo.

No ano seguinte, os avanços técnicos e a introdução da suspensão eletrônica nos carros da Williams colocaram a equipe em um patamar acima, e por isso não houve muita competição. Assim, Nigel Mansell se consagrou campeão de 1992 e Alain Prost de 1993, que se aposentou na sequência.

Desse modo, Senna foi contratado para representar a Williams em 1994. Entretanto, disputou apenas três corridas e não completou nenhuma delas. No GP de San Marino, em Ímola, na Itália, Ayrton Senna fez sua última corrida. O brasileiro sofreu um grave acidente, provocado pela quebra da barra da direção, e infelizmente faleceu.

Para mim, estudante da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Senna foi, além de um grande piloto, uma grande pessoa, alguém que lutava nos bastidores pelo bem do esporte. Eu, particularmente, não vi ele correr, mas ouço histórias e vejo vídeos de suas corridas. Aliás, uma dica para quem se interessa em saber mais sobre sua vida: assista ao documentário “Senna: O Brasileiro. O Herói. O Campeão.”, que traz histórias muito legais sobre a vida de Ayrton Senna, que ficará eternamente marcado na história do Brasil e do automobilismo mundial.

Palmeirense apaixonado por esportes. É o melhor entretenimento do mundo!