As visões das religiões sobre a pandemia

Por Maria Esteves

Ao longo da história, os seres humanos adotam crenças para justificar fenômenos (quase) inexplicáveis. Considerando o atual momento em que vivemos, com a disseminação da covid-19, observamos perspectivas religiosas sobre o assunto.
Manuel Faustino e Helen Flávia Lisboa Moreno são fundadores de uma casa de candomblé em São José Rio Preto, interior do Estado de São Paulo. Para o casal, doenças e pragas não estão no âmbito do benéfico ou maléfico, mas são primordiais para a continuidade da existência, sendo necessárias mudanças e renovações do viver para a preservação da saúde. Em virtude do isolamento social, as cerimônias e rituais sofreram adaptações e algumas até mesmo precisaram ser canceladas.
Para a líder espiritual e fundadora da Comunidade Zen Budista, Monja Coen, “estamos vivendo um karma coletivo, que é para todo o planeta Terra. Para ela, no vídeo “Coronavírus é o nosso karma coletivo?”, publicado no YouTube, “é um momento muito importante para desenvolvermos a capacidade do amor, da caridade, compaixão e sabedoria.”
Padre Reginaldo Manzotti é cristão católico. De acordo com ele, a concepção de que o coronavírus seria ‘um castigo de Deus’ é completamente errônea. “É mais fácil pensar que é castigo de Deus, pois assim desvia da humanidade a responsabilidade de ações erradas”, diz. Para o sacerdote, Deus não manda sofrimento, mas pode permitir, não para castigar, e sim para corrigir, como um “pai que ama os seus filhos”.

Para o pastor evangélico, Eraldo Alfaro, de Presidente Prudente, o homem, criado à imagem e semelhança de Deus, adoeceu fisica, emocional e espiritualmente. “Acreditamos (sobre a pandemia) que tudo está sob o controle de Deus e tudo acontece com a sua permissão. Todas as coisas que Deus faz são boas, mesmo as que nos parecem ruins, pois cumprem um propósito maior que nem sempre compreendemos. Acredito que a humanidade, nesses momentos de fragilidade e insegurança, passe a procurar algo que transcenda à sua existência, procure algo maior em que se possa crer e que lhes dê segurança e propósito diante da transitoriedade da vida”, diz o pastor, que lamentou a perda de tantas vidas: “aguardamos pelo surgimento de uma vacina e oramos para que Deus conceda sabedoria aos médicos e cientistas de forma que logo possamos ter o antídoto de que precisamos”.