Arte e Dança: O Ballet Clássico

A música toca e a entrega começa. Os passos devidamente ensaiados e sincronizados envolvem a melodia e contam uma história. Uma história que não precisa de falas, gritos ou qualquer outra coisa que não seja o movimento. Isso é o Ballet, a arte que fora criada há exatos 500 anos, na Itália.

O primeiro ballet apresentado oficialmente fora em uma cerimônia de comemoração pelo casamento do Duque de Milão com Isabel de Àrgon. Naquela época, os nobres italianos adoravam entreterem-se com danças misturadas ao som de músicas, poesias e teatro. O ballet então chegou, tempos depois, ainda no ambiente nobre das cortes europeias, em países como França, Inglaterra e Rússia, onde se desenvolveu e se aprimorou.

Mauris Petipa, coreógrafo francês que deu vida a Ballets icônicos, como O Lago dos Cisnes, O Quebra Nozes e A Bela Adormecida, começou sua carreira depois de uma viagem à Rússia, onde começou a trabalhar as obras de compositores, principalmente as do famoso e lendário Tchaikovsky. Os russos, em 1909, tomaram a frente das produções de Ballet, com Diaghilev, diretor de uma revista de arte, que iniciou uma nova era na dança, conquistando públicos pela Europa e contando com a ajuda do brilhante coreógrafo, Mikhail Fokine.

Montagem do espetáculo “O Quebra Nozes”.

 

  Cena do Ballet “A Bela Adormecida”. 

 

Clássico O Lago dos Cisnes.

Passeando pelo histórico desta bela expressão artística, chega-se aos dias de hoje, onde o ballet conheceu a inovação, sem deixar de lado a beleza clássica e pura de suas origens. Apesar de ter nascido das festividades da nobreza europeia, hoje o ballet tem caminhado para uma maior acessibilidade, com escolas, ONG’s e muitos projetos trabalhando para trazer crianças, jovens e adultos ao mundo da dança. Grandes bailarinos da patente do ballet mundial apostam no investimento nessas iniciativas, como fez Thiago Soares, primeiro bailarino do Royal Ballet de Londres, que apadrinha uma ação de aulas gratuitas de ballet a jovens carentes na Gamboa, Rio de Janeiro.

A dança tem o poder de transformação, pois a arte está contida em toda a sua essência. Os bailarinos passam horas do dia nos estúdios ou escolas repetindo os mesmos exercícios, cada dia em uma intensidade diferente, um viés diferente…

É como conta a bailarina Juliana Caveiro, 17 anos, estudante do segundo semestre de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “Comecei bem novinha, assim que entrei no colégio, aos 3 anos”. O desejo acendeu quando Juliana, ainda nova, viu as fotos de sua mãe em espetáculos de Ballet profissional dos quais participava.

Juliana Caveiro em sua apresentação de Ballet clássico. 

“Os maiores desafios com certeza são os exercícios que muitas vezes são bem puxados”, diz a bailarina, que acrescenta: “A dança me traz vivacidade, gosto demais da sensação de estar no palco e mostrar pra plateia o quanto os ensaios valeram a pena”, “é possível transmitir uma carga emocional capaz de encantar quem está assistindo”.

O Ballet é esta mistura de artes presentes em movimentos e expressão do corpo. É música, som, intensidade, cores, tecidos, teatro… Tudo envolvido, nas palavras de Juliana, “na arte de encantar”.