Ana

Ana é uma típica jovem brasileira. Quando nasceu, foi enrolada em um cobertor rosa. Em suas roupas de infância, só estampas florais e delicadas e peças com renda. Ganhava sempre Barbies de Natal, embora insistisse, em sua graça infantil, que preferia na verdade um jogo de xadrez. Por mais que Ana quisesse jogar futebol, seus amiguinhos insistiam que era jogo de menino.

Enquanto crescia, Ana era ensinada a se sentar com recato, a usar maquiagem e a alisar seus cabelos levemente cacheados para ficar bonita. Quando saiu pra balada pela primeira vez, ficou com quatro meninos e foi repreendida pelos pais porque “menina de respeito” não fazia isso. O que Ana não entendia era porque seus pais agiam com indiferença quando seu irmão agia da mesma forma.

Quando Ana começou a namorar, aleluia, graças a Deus!, ela namora! As tias lhe enchiam o saco nos jantares em família para saber dos “namoradinhos”, mas seu irmão aproveitava sua solteirice sem ser incomodado. E, depois que Ana terminou seu namoro, seus “amigos” homens começaram a dar em cima dela com a justificativa de que ela estava solteira. E, mesmo rejeitando-os, eles continuavam insistindo… até que ela inventava um namorado imaginário e isso resolvia o problema.

Ana se formou, começou a trabalhar e foi morar sozinha. Mesmo assim, suas tias continuavam insistindo: “Não tem ninguém especial, não? Cuidado pra não ficar velha demais pra casar!”. E, então, Ana descobriu que, não importa o que fizesse, sua vida sempre seria definida em relação a um homem… o Eu do seu Outro.

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