Amanda Sthephanie Silva

 

Perfil de Amanda Sthephanie Silva

“‘A mulher negra não nasce negra, ela se torna’, acho que diz muito sobre mim, porque eu não nasci negra, eu realmente me tornei”. Amanda Sthephanie tem 18 anos e está no terceiro semestre de jornalismo no Mackenzie. Integrante do Coletivo Afromack, ela acredita que seu desejo de mudar o mundo é perigoso, mas que a descontrução ainda não acabou e é ansiosa para fazê-la.

Amanda conheceu a militância há um ano, em um coletivo negro e feminista no interior da periferia de Osasco, onde mora, e depois integrou o grupo negro geral de Oscasco. “Hoje eu sou extremamente apaixonada, saí do ponto de uma menina que não se aceitava, que alisava o cabelo, pra um ponto de aceitação depois de todos os preconceitos e estereótipos que adquiri durante a vida”, conta a estudante.

Para a jovem, entrar na Universidade Presbiteriana Mackenzie significou a desconstrução de suas próprias ideias: “Quando a gente vem da periferia e a gente já sofreu muito nesse aspecto, a gente vem com uma defensiva muito grande.” Ela também nos conta que gosta quando recebe perguntas de meninas brancas sobre elementos da cultura negra e, que para ela, isso é ganhar voz de quem a tem.

Mas as discussões sobre o tema não ficam apenas em sala de aula, Amanda mencionou dois planos muito interessantes para o futuro: ingressar na área acadêmica para conquistar a vaga que, segundo ela, seus ancestrais não tiveram e transformar suas poesias em rap. “Ser uma feminista preta e periférica, aí os meninos do hip-hop que me aguardem!”

  “A identidade cultural é libertária e eu acho que isso foi o meu maior ato de coragem”, finaliza a estudante de jornalismo.

Escrito por Maria Clara Lucci

Foto por Maria Clara Lucci