Sentimento do Mundo

”Os preconceitos estão enraizados, eles são culturais. Estão dentro das pessoas e tirar isso é muito difícil”, diz Aline Bernardes, 21 anos. A estudante do terceiro semestre do curso de jornalismo fala da escolha pelo Mackenzie: “ Me inscrevi para essa e outra faculdade porque aceitavam no meio do ano. Eu entrei com a ideia de cursar só meio semestre e sair porque achava que não ia aguentar.  Então, eu fui me apaixonando pelo curso. Conheci professores muito bons no primeiro semestre”.

Ela se refere à pressão que os alunos negros sofrem dentro de uma universidade. A mackenzista também comenta de como palestras sobre o tema e o Afro Mack a fizeram se sentir mais a vontade. “Teve palestras, várias coisas com questões negras e eu fui me ambientando”.

Apesar disso, ela comenta: “É claro que ainda é um ambiente um pouco hostil, não vou mentir. Mas como seria em qualquer outro ambiente, onde há predominantemente pessoas brancas.” Por isso, a importância de coletivos como o Afro Mack: “Ainda existem algumas pichações, alguns comentários, mas a gente consegue se ajudar, a gente luta junto. E isso é muito melhor do que se eu tivesse sozinha”.

Ela é uma pessoa comunicativa e com muitos amigos, conta que sempre está disposta a ajudá-los. “Todos que me conhecem falam, eu quero fazer todo mundo bem. Tem alguém com problema, eu quero resolvê-lo”. Mas não são só os problemas do seus amigos que ela quer resolver. “Eu falo vou mudar o mundo, não vai mais haver injustiça, aí eu me frustro. Porque, infelizmente, eu não consigo mudar o mundo sozinha”.

Por isso, ela escolheu uma frase de Drummond como uma de suas preferidas. “Eu tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo”. “ Essa frase  é de eu querer fazer muita coisa, mas eu tenho só duas mãos e eu não consigo abraçar todo mundo”, explica.

Ela também fala do seu futuro. “Fazendo o jornalismo alternativo, político de direitos humanos. Me imagino viajando. Até lá, eu pretendo fazer meus mochilões. Eu quero ir para o continente africano porque é muito ligado às minhas raízes. E também quero fazer um mochilão pela América do Sul”, responde ao ser questionada de como se imagina daqui 4 anos.

Além dos mochilões, ela pretende “pular de paraquedas, asa delta, conhecer o mundo todo, cobrir guerras”. Essas atividades são coisas que ela ainda gostaria de fazer.

“Se eu pudesse fazer um pedido, seria para acabar esses preconceitos, machismo, racismo, etc. É muito difícil viver em um mundo assim”, diz Aline sobre o que faria para mudar o mundo. Por ùltimo, ela conta do porquê escolheu jornalismo: “Acho que o  jornalismo  é um meio da gente expor, denunciar as coisas. Para alcançar outras pessoas e tentar diminuir alguns preconceitos que a sociedade tem, por isso escolhi jornalismo”.

  • Thiago Bernardes

    muito top^^