A visão do Jornalismo por Marcelinho Carioca e Cesar Sampaio

Ídolos do futebol nos anos 90, Marcelinho Carioca e Cesar Sampaio relembram momentos da carreira e comentam a relação que possuem com o Jornalismo.

Em comemoração ao Dia do Jornalista (07/04), os ex-jogadores César Sampaio e Marcelinho Carioca compareceram à Universidade Presbiteriana Mackenzie na quarta-feira (11) para compartilhar suas histórias no mundo jornalístico e no mundo do futebol como jogadores.

Um dos principais temas abordados na conversa foi o comportamento de um ex-jogador atrás do microfone. César, ídolo do Palmeiras, completou seu curso de Gestão do Esporte em 2005, trabalhou como comentarista na rádio Jovem Pan e recentemente foi contratado pela ESPN Brasil para exercer a mesma função. Já Marcelinho, ídolo do Corinthians, formou-se em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, sendo o único ex-jogador de futebol a conseguir tal feito.

Cesar Sampaio durante palestra no Auditório Escola Americana, no Mackenzie.

César Sampaio explicou a mudança da relação dos jornalistas com jogadores. “Existia um relacionamento mais próximo, saíam dos jogos para jantar juntos, tinha uma transparência maior. […] com a tecnologia de hoje, é preciso ter mais cuidado. Atualmente, as relações são bem mais distantes”, disse.

Perguntado sobre o entretenimento no jornalismo esportivo, Marcelinho deixou bem claro seu ponto de vista: “Nunca entrei na vida pessoal de determinado atleta. A análise precisa ser dentro das quatro linhas, o que faz fora compete a ele. O poder da vida e da morte está na língua e na caneta. Com uma palavra você pode levantar alguém para o sucesso, mas também pode destruir sua carreira”, afirmou.

Apesar de ídolos de times rivais, tanto Marcelinho quanto César estavam bem à vontade para relembrar histórias de Corinthians e Palmeiras, da Seleção Brasileira ou, no caso do ex-corintiano, Vanderlei Luxemburgo, o que animou o público.

Marcelinho Carioca durante a palestra.

Marcelinho Carioca ainda aproveitou a resposta e completou: “Quando você atua na verdade, ela pode doer, mas sempre vai prevalecer. Ou você quer ser bom, ou quer ser diferente. Para ser diferente, é preciso pagar o preço”, disse.

O evento foi planejado e realizado pelo Núcleo Esportivo da Universidade Mackenzie, um projeto recém-formado como relata o professor de Comunicação Social, Anderson Gurgel “O esporte sempre tem demanda na área de comunicação, principalmente no Jornalismo. Há diversos alunos interessados em jornalismo esportivo, ou produzindo trabalhos de conclusão de curso ou projetos de pesquisa que abrangem o tema, então percebemos a oportunidade de criar um espaço dentro da Universidade para que a gente realmente reflita sobre o esporte, organize eventos, faça pesquisas, e etc.” O professor Vanderlei Souza, também de Comunicação Social, faz parte do núcleo, e disse que o objetivo é “Organizar o que já acontece. O que estamos fazendo já rola por parte dos professores e dos alunos por meio de trabalhos e pesquisa, vamos organizar tudo isso e montar um grupo permanente na área de esporte, assim como devem ter em outras áreas.”

Auditório cheio para a palestra.

Nós, da Redação Virtual Mackenzie, agradecemos aos professores Anderson Gurgel, Vanderlei Souza, e Paulo Ranieri; e a Assessoria de Imprensa de Marcelinho Carioca, que nos proporcionaram a oportunidade de entrevistar o ex jogador exclusivamente, confira:

R.V – Em 2012, o Corinthians foi campeão da Copa Libertadores com um time que, se comparar com o time da sua época, em 99/2000, possuía jogadores com uma qualidade individual inferior. Você acredita que na época faltava uma personalidade como o Tite para conseguir levar o timão ao título?

MARCELINHO – Acredito que não. Nos dois anos nós possuíamos um time equiparado ao Palmeiras, pelo qual fomos eliminados. Quando se trata de duas equipes rivais, tudo pode acontecer. Nas duas vezes nós fomos eliminados nos pênaltis, o que foi uma fatalidade, não tirando o mérito do Marcos, que foi brilhante na noite, mas eu não acredito que tenha sido um problema técnico, e sim a consequência de toda a emoção que está presente em um clássico. O Tite está diferente de outros treinadores, ele é um gestor de pessoas. Em 99/00 nós tínhamos o Oswaldo de Oliveira como técnico, que é um grande treinador e um grande conhecedor de futebol, portanto foi mais uma fatalidade do que um problema tático.

R.V – Você acha que o futebol mudou muito dos anos 90 para os dias de hoje?

MARCELINHO – O futebol, hoje em dia, está muito robotizado, mecanizado, maquiado, tanto que o talento está totalmente escasso. Aquele futebol da várzea, atrevido, o futebol “moleque”, na palavra coloquial do futebol, é difícil de ser visto e deslumbrado. Lógico que há algumas exceções, como o Neymar. Ele consegue ter intimidade, brincar com a bola, levar todos os fundamentos básicos do futebol para dentro do campo, onde tem uma pressão enorme da torcida. […]. O futebol brasileiro estava muito mais acostumado na década de 70, com Pelé, Rivelino, Gerson, Tostão. Na década de 80 teve o Zico, Cerezo, Sócrates, Falcão, Eder. Em 90 o Romário, Bebeto, os Ronaldos, Rivaldo, jogadores com altíssima qualidade em termos de seleção brasileira. Mas no geral, o futebol mudou totalmente.

Matéria escrita por Renan Oguma, estudante do 3º semestre de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Paulistana apaixonada por esportes, principalmente futebol. Ama ler,escrever e conversar. Fã de Maroon 5, Game of Thrones e chocolate.