A vez das mulheres – 90 anos de Oscar

A mais famosa cerimônia de premiação está na sua 90ª edição este ano. E junto dela, a visibilidade de mulheres talentosas que fazem parte do mundo da sétima arte. Não é algo novo as mulheres usarem a cerimônia para falar de assuntos importantes. Assédio sexual, igualdade de gênero e racismo são temas sempre presentes nos discursos de atrizes nomeadas, como Viola Davis e Meryl Streep. Em espírito do dia da mulher (08/03) a editoria da ETC&Tal decidiu destacar a presença das mulheres no Oscar de 2018.

Dee Rees no set de “Mundbound”

Pela primeira vez uma mulher foi indicada para a categoria de Melhor Fotografia em 90 anos de Oscar. Ninguém menos que Rachel Morrison, com seu filme “Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississipi”. O drama, produzido pela Netflix, também foi dirigido por uma mulher. Dee Rees, em companhia do reconhecimento de Rachel, é a primeira mulher negra a ser indicada para Melhor Roteiro Adaptado por “Mudbound”.

A estudante Amanda Pickler faz jornalismo no Mackenzie. Mas antes disso, trabalhou atrás das câmeras depois de seu curso de direção cinematográfica na Academia Internacional de Cinema no Rio de Janeiro. Sobre o Oscar ela diz que esse ano ele “já é histórico” pelo feito de Rachel Morrison na categoria de Melhor Fotografia. Algo que, pelos olhos de quem já viu de perto, diz ser o departamento mais fechado de toda a indústria. Ela também nos conta que durante suas aulas na Academia, suas opiniões e chances de participar da direção das filmagens eram sempre menores que de seus colegas diretores.

 

Greta Grewig dirigindo seus atores em “Lady Bird”

Após um “jejum” de oito anos, outra cineasta mulher fez seu nome na premiação desse ano, Greta Grewig. Em todos os anos de cerimônias anuais, somente cinco mulheres foram indicadas para Melhor Direção (uma das mais importantes categorias da noite). Essas sendo Luina Wertmuller, por “Pasqualino Sete Belezas” (1975). Jane Champion, por “O piano” (1993). Sofia Coppola, por “Encontros e desencontros” (2003). E Kathryn Bigelow, por “Guerra ao terror” (2008). A qual foi a única vencedora até então, levando 81 anos para que uma mulher ganhasse na categoria. Esse ano, Greta Grewig concorre nessa mesma categoria, por seu filme “Lady Bird”.

 

 

“Uma mulher como diretora é algo muito difícil. Mesmo quando dirigi meu filme, fiz uma co-direção com um homem. E as pessoas ouviam muito mais as opiniões dele do que as minhas.” – Amanda Pickler

As brasileiras também não ficam de fora da história do Oscar. Em 1999 Fernanda Montenegro foi a primeira mulher brasileira à ser nomeada. Concorrendo ao prêmio de Melhor Atriz pelo filme “Central do Brasil”. Viola Davis também ajuda a aumentar as “primeiras” no Oscar sendo a primeira mulher negra a ter ganho uma estatueta (além de um Emmy e um Tony).

Com todas as mudanças, com uma maior visibilidade às mulheres, a 90ª edição do Oscar é a da Sonoridade. Que, para quem não é familiar com o nome, não é “sonoridade”, mas sim um conceito. Que significa a aliança feminina baseada no apoio mútuo, na solidariedade, empatia e força. Representa a união entre as mulheres em prol da busca pela igualdade de gênero e da conquista do seu espaço na sociedade.

Amanda cita o “Times Up” (movimento contra o assédio sexual em Hollywood) e a grande quantidade de atrizes “de peso” por trás dele, como uma uma esperança de que mudanças vão acontecer, para o melhor. O que, no final das contas, é tudo o que as mulheres do mundo da sétima arte querem e, com certeza, representaram no Oscar de 2018.

“Melhor Comédia” não é uma categoria do Oscar, mas quem não ama um comediante? Vem ler sobre O dia do Comediante aqui!

Larissa Iole de Freitas

Paulistana propensa a sonhar demais em meio a realidade. Apaixonada por histórias novas, café(s), bons livros e uma boa playlist que acompanhe isso tudo.