amor

A beleza do amor

Texto: Vitoria Maria

Eu nunca entendi porque a Afrodite era a deusa do amor. Quando nova via nela só beleza, um erro de principiante admito.

Só aqueles que nunca amaram, se apaixonaram ou sofreram em nome de algo maior cometeriam tal erro, óbvio que na deusa do amor haveria só beleza como os olhos do amante a seu amado. Cada gesto parece uma cena de teatro, como o pequeno erguer das sobrancelhas, os cabelos de encontro ao pescoço ou os leves sorrisos de canto fossem uma cena das mais belas ensaiadas, como se ouvisse uma orquestra para cada passo coreografado. Há beleza em tudo, como se todos os dançarinos tecessem o ensaio para um beijo.

Hoje tenho um pouco mais de compreensão. Afrodite não era bonita como uma mortal. Ela nos remetia a nossa mortal, como um apaixonado, nela era tudo primavera, tão comedida como uma tempestade de verão.  Ela nos arrebatava somente pela ideia de um dia amar e mais surpreendente ainda um dia ser amado.

Hoje entendo o pouco mais ela não era a deusa do amor, ela era como amor.

Em seus traços, vozes, anseios moravam nossos desejos. Nela habitava o grande encanto da felicidade plena, será mesmo possível tal relíquia?! Um amor que talvez nos enlouqueça exista, talvez ele esteja destinado a poucos, somente aqueles que tem o poder de fazer o coração morada, refúgio de seu amante, procurar conforto em outra alma não seria tão maravilhoso se não fosse raro.

Talvez a maravilha do amor se encontre no ‘’e se’’. E se um dia eu amar? E se um dia for amado? E se não durar? E se tu hás perder?

Somente existe dúvidas no coração daqueles que anseiam e não se pode amar sem ter anseios, por isso uma Deusa, somente as preces poderiam nos trazer calmaria em meio a ondas da paixão.

​Há beleza no amor, talvez agora esteja entendendo.  Mas, se fosse só isso seria uma mera paixão. Amar é uma virtude, compreender que a real beleza é na ideia de ser um quando somos dois, de ir e vir e sempre querer ficar, de conhecer o outro como a si e, ainda sim, se surpreender por reconhece-lo sempre. Amar é se entregar somente com a boa-fé.

Eu amei.

Me deixei ir, como correnteza não soube lutar, confie. Fiz de sua corrente meu caminho, aprende todos os dias. Todas as vezes que chamei por Afrodite ela me mostrou que entre ir e vir permanecer me faria feliz, no meu amado me conhece e caminhamos.

Então, agora eu sei porque Afrodite é a Deusa do amor.

Ela amou, a si, ao outro, e todos. Nas suas feridas consagrou histórias, cresceu em cada par seu, tornou dois um, e sobreviveu, de algum modo ela sobreviveu a todos seus amores, tão divino quanto ela só os traços que permanecem em nós depois de amarmos, ela era a deusa do amor porque sabia que a beleza é traço dele e não essência, que as coisas são belas somente aos olhos de quem ama, e finalmente que nos tornamos belos porque amamos, fugir e evitar isso seria um erro, ela sabia de tudo isso, e hoje eu sei o porquê ela era a deusa do amor, somente amando algumas vezes vamos entender.

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