poetas

Para colocar na lista de leitura- 5 poetas brasileiros.

Aaaah a poesia…

Seja para quem está apaixonado, seja para quem está triste, a poesia sempre nos faz pensar e viver emoções enquanto lemos.

Mas, a poesia em si tem uma função muito além de nos trazer sentimentos.

O professor do curso de letras, Cristhiano Aguiar, que leciona na Universidade Mackenzie falou sobre a importância que os poetas tiveram para o nosso país.

“A poesia foi muito importante, ao longo da história brasileira, por dois motivos: ela ajudou a constituir e a fixar o registro “brasileiro” da língua portuguesa. Além disso, ela nos ajudou, e nos ajuda, a enxergar a nossa própria cultura.”

O professor acredita também que a poesia foi indispensável para nos tornarmos, enfim brasileiros.

“A poesia brasileira foi uma protagonista essencial na construção da nossa identidade, e da nossa autonomia linguística e cultural em relação a Portugal e a Europa como um todo.”

E para conhecer mais a cultura e a poesia do nosso pai, aqui vai uma lista com cinco poetas brasileiros.

  • Álvares de Azevedo

Álvares de Azevedo é, segundo o professor Cristhiano, um dos maiores nomes entre os poetas românticos no Brasil. Ele é patrono a 2ª cadeira da Academia Brasileira de Letras.

Entre seus principais livros estão “Lira dos vinte anos”, “Noite na taverna” e “Macário”. O poeta paulista faleceu com apenas 20 anos , em 1852, por conta de um acidente com um cavalo.

“Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que amanhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!”

Trecho do poema “Se eu morresse amanhã”

  • Carlos Drummond de Andrade

Considerado por muitos o principal dos poetas do século XX no Brasil, Drummond fez parte do movimento moderno.

“A rosa do povo”, “Claro enigma” e “Sentimento do mundo” são alguns dos livros do mineiro.

Em 1987, o poeta morre com 84 anos.

“Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.”

Poema “Ausência”

  • Cecília Meireles

Também do modernismo, Cecília Meireles não foi só poetisa, como também jornalista, pintora e professora.

A carioca nasceu em 1901 e faleceu em 1964, com 63 anos.

Entre suas obras estão “Vaga música”, “O menino azul” e “Ou Isto ou Aquilo”.

“… Deponho-te em cristal, defronte a espelhos,
sem eco de cisternas ou de grutas…
Ausências e cegueiras absolutas
ofereces às vespas e às abelhas.

E a quem te adora, ó surda e silenciosa,
e cega e bela e interminável rosa,
que em tempo e aroma e verso te transmutas!”

Trecho do poema “Segundo motivo da rosa”.

  • Manuel Bandeira

Além de Poeta, Manuel era tradutor, crítico e professor,  e também fazia parte do movimento moderno.

Nascido em Recife, em 1886, o pernambucano morreu no Rio com 82 anos, em 1968.

Seus principais livros são “A cinzas das horas”, “Libertinagem” e “Estrela da Manhã”.

“Eu faço versos como quem chora
De desalento… de desencanto…
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente…
Tristeza esparsa… remorso vão…
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústica rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
– Eu faço versos como quem morre.”

Poema “Desencanto”

  • Hilda Hilst

A Paulista foi poetisa contemporânea, cronista, ficcionista e dramaturga.

Dentre seus livros estão “Poemas Malditos”, “Da Poesia” e “Fluxo-floema”.

Hilda faleceu em 2004, na cidade de Campinas. Ela viveu 73 anos.

“Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.”

Poema “Dez chamamentos ao amigo”

E ai, gostou das dicas ? Se você curte poesia, vem dar uma lida nesse poema incrível aqui!!!

 

Beatriz Martins

Paulistana de nascimento e de coração. Nunca dispenso um cafézinho e uma conversa boa. Amante de livros, séries e música. Enfim, só mais uma pessoa tentando se encontrar nesse mundão.