Tempos Passados

 

Chegou novamente essa época do ano. Época em que supermercados lotam de pessoas atrás dos ovos de páscoa, que fazem um pequeno “telhado” em certos corredores e ficam lá em cima, fora do alcance das pequenas mãos desastradas das crianças, ávidas pelo chocolate ou pelo que vem dentro. Os canais passam incessantemente comercias e jingles de coelhos a ponto de você decorar todas as músicas junto com aquele seu priminho menor durante as reuniões de família.

Tudo isso nos traz recordações, aqueles tempos em que acordávamos no domingo de Páscoa e corríamos pela casa procurando os ovos escondidos pelo até então coelho, mas só anos mais tarde percebíamos que eram nossos parentes que se escondiam. Em que comíamos tanto chocolate que passávamos mal e faltávamos na aula de segunda (totalmente não intencional), competíamos com primos e irmãos para ver quem comia mais ou achava o brinquedo mais legal, ou então nas ocasiões em que nossos pais faziam uma árvore genealógica no caminho para o jantar de família.

Recordações que agora se tornam tão distantes, trazendo a dúvida se realmente aconteceram, ou se eram só memórias alteradas pela cabeça cheia de imaginação das crianças que um dia fomos. Todo aquele espírito fica menos intenso a cada ano que passa. Temos responsabilidades e deveres que devemos cumprir, não temos mais tempo para brincar ou caçar ovos, não temos mais idade para isso, mas ao mesmo tempo sentimos saudade daquilo que já passou.

Talvez um dia esse sentimento de alegria da Páscoa volte com a mesma intensidade de antes, mas dessa vez de uma forma mais madura, mais adulta e condizente com aquilo que somos agora. Ou será que por apenas um dia no ano, devíamos nos dar o direito de reviver os tempos de infância, deixar de lado por apenas um dia todas as responsabilidades de ser adulto e sermos aqueles sonhadores mirins de anos atrás? Talvez seja esse o sentido da Páscoa.

Texto por Rodrigo Nunciaroni