O sonho que se tornou realidade

Certa vez uma mulher grávida foi fazer um ultrassom, o médico olhou para a tela e disse que era um bebê do sexo feminino, a moça duvidou que havia apenas uma criança, já que sempre que tinha desejo tinha que ser em dose dupla, dois sorvetes, dois miojos… No verão, mesmo fazendo muito calor ela tinha que cobrir um dos lados da barriga porque sentia frio, tinha certeza que não era apenas um bebê e sim dois.

Algum tempo passou após a consulta médica, e a mulher sonhou com o nascimento da criança, sonhou que não havia apenas uma, e sim duas, duas menininhas que iriam nascer enroladas numa toalha verde. Assim foi, em agosto, à gosto de Deus nasceu duas meninas, com um minuto de diferença, gêmeas, bi vitelinas, pequeninas assim como a mãe, enroladas numa toalha verde como a mulher havia previsto no sonho.
Essa mulher é a minha mãe, essa é a minha história e da minha irmã, passou-se um pouco mais de 18 anos, e eu e minha irmã crescemos, mas nem tanto, continuamos baixinhas que nem a nossa mãe, desde criança sempre fomos a melhor amiga da outra, inseparáveis, até que o destino nos separou, cada uma foi para uma faculdade, cada uma foi pro seu canto, tomamos rumos diferentes, no começo foi difícil, mas a gente acaba se acostumando com a ausência.
Por toda a vida, sempre nos faziam perguntas do tipo “Vocês são gêmeas? Mas nem são parecidas!”. A verdade é que ela sempre foi minha antítese, ela sempre foi mais magra, mais branca, mais brava; eu sempre fui mais gordinha, mais morena, mais calma. Ela a cara do pai, eu a cara da mãe, até no nome somos completamente diferentes, apesar de tantas diferenças, temos nosso lado igual, as decisões que tomamos muitas vezes foram iguais, desde a escolha da roupa até o curso da faculdade; muitas vezes brigamos por coisas bestas e depois caímos nas gargalhadas, normal, são coisas de irmão. Apesar de ter mais 3 irmãos, com minha gêmea sempre tive uma ligação especial, afinal, a gente nasceu no mesmo dia! Brincadeiras à parte, não importa o quanto nós nos afastamos, a irmandade é sempre a mesma, somos tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais.

Texto de Julia Cadete