Sangue nos olhos

Uma bala em seu revólver. Respiração alterada. Olhos compenetrados a sua volta.  John pode sentir seu inimigo por perto, pronto para atacar sem piedade alguma.  Um camaleão que se esconde no ambiente, um predador que conhece sua presa ardilosamente. Ninguém se mexe. Se pudesse existir algum barulho, este seria do fluxo de pensamentos. Um passo em falso e tudo está perdido. Tudo será jogado para o ar como confetes e serpentinas jogadas no Carnaval.

 

John se move primeiro fazendo um som do couro de sua jaqueta, pois identificou Tom atrás de uma parede em um beco sem saída, prestes a direcionar um tiro certo nas pernas de seu rival. Um disparo se escuta. Todos que estavam apreensivos olhando de suas casas, através de cortinas, frestas de porta e até mesmo das janelas do porão já foram esquecidos no tempo.

 

A bala erra seu alvo. Mais uma tentativa e ela passa de raspão, bem próximo à bota de couro preta de Tom. O rival salta para ao ar com o objetivo de se livrar da dor dilacerante que veria com um pouco menos de sorte a seu favor. Então, ele revida, joga seus dados finalmente e percebe que se deu bem com sua jogada: consegue atingir o estômago de John.

 

Este cai no chão, sangue em suas mãos que pressionam o ferimento. Seus olhos agora ficam intensos, cheios de ódio. Agora acabou a brincadeira de criança. Dito e feito. Quando dispara novamente em direção ao tom consegue atingir seu coração em cheio. John agradece aos céus por sua boa pontaria estar em dia com ele. Ele caminha até Tom estirado no chão. Seus olhares se encontram e, num último suspiro puxado por seus pulmões, deixa claro seu desgosto de estar naquela situação, tendo como última visão o sorriso vitorioso daquele que deu ultimato a sua vida.

Foto por Ryan Pwn, usuário do Flickr