Imagem: Renato Nascimento

Vanessa Oliveira: a ex-aluna mackenzista que se tornou professora

(Imagem: Renato Nascimento)

Por Bianca Machado

Se tem duas coisas que a professora de jornalismo, Vanessa Oliveira, esbanja são sorrisos e simpatia. A ex-aluna e atual professora mackenzista não nega sua paixão pela universidade e por sua trajetória. 

Antes mesmo de apresentar sua jornada, ela prioriza esclarecer sua origem, de onde herdou sua consciência de classe. Vinda de uma família vítima do êxodo da seca nos anos 60, do norte de Minas e do sertão do Ceará, ela conta que seus pais carregam um fascínio muito grande pelo estudo, mesmo sem terem obtido a oportunidade de estudar. 

“Meu pai parava o jantar para a gente ver o horário eleitoral. Minha mãe falava: olha, hoje é dia de debate! Então a gente podia ir dormir mais tarde. Na verdade, não era para assistir à tela quente, mas para assistir debate”.  Ao entrar no Mackenzie, em 2005, ela conta que não tinha ideia do que queria fazer no jornalismo, mas tinha noção que queria utilizá-lo como ferramenta de justiça. “Quem me ensinou crítica de mídia foram meus pais, quem me ensinou a olhar para um jornal e a entender por que aquela palavra estava sendo usada e não outra; por que uma pessoa tinha tantos minutos no jornal nacional e não outra; foram eles.”

Com um currículo recheado debaixo do braço, ela deixa claro que querer não é poder, mas sim lutar. Ainda no período da graduação, a então bolsista passou por veículos como o portal Visão Oeste e a TV Cultura, onde permaneceu até 2011. Posteriormente, pelo portal Terra e Rede Record. O livro-reportagem “Sobre cubanos e uma ilha”, produzido para o seu TCC, em 2008, abriu portas como a chance de ser correspondente em Cuba para a rádio RFI (Rádio França Internacional, na tradução livre) um tempo depois. 

Atualmente poliglota, falante das línguas inglesa, espanhola e francesa, ela diz não imaginar que isso seria real. Para cada língua ela guarda uma história curiosa e singular. A espanhola, segunda língua que aprendeu, se deu por uma viagem feita à Cuba junto com uma amiga, Silvia Song, ainda na época da faculdade, para a produção de uma reportagem. A inglesa, aprendeu ainda durante um estágio na TV Cultura e a francesa enquanto morou seis anos no país e lá fez seu mestrado e doutorado.

Quando questionada se a considera mais como professora ou jornalista, ela dá um sorriso largo e carinhoso: “Eu não abandonei o jornalismo e não sei se vou conseguir fazer isso em algum momento, sinceramente”.

Vanessa conta que muitas pessoas olham para ela e se veem. “Eu sinto essa responsabilidade e não é necessariamente uma coisa que eu busquei, mas eu acho que é um efeito da ausência de mulheres. Ausência de mulheres jovens, ausência de mulheres negras, ausência de mulheres periféricas, ausência de pessoas que não tiveram tantas oportunidades”, desabafa. 

Hoje, além de lecionar para turmas de jornalismo do Mackenzie, ela também atua como jornalista escrevendo para a revista Elástica, da editora Abril, e para a Marie Claire. É também colunista do site Mídia Ninja, uma rede de comunicação livre, onde escreveu, ano passado, sobre a Bolívia e atualmente produz conteúdo para o podcast “FRONTeiras”. Ela ainda acha tempo para debater documentários junto com outros profissionais da área de cinema, no canal “3 em cena”. Nesse ano ela também publicará sua tese em forma de livro sobre a entrada do Google em Cuba.