E o acordo ortográfico?

Depois de uma noite em que nada além do casual aconteceu, ela acorda. Ela ama o casual. Ela abre os olhos, mexe preguiçosamente as pernas, espreguiça os braços e sorri consigo mesma. Ela é feliz. Ao levantar, de súbito, decide colocar uma roupa leve e correr para a rua, pra celebrar a vida. Ela é feliz e determinada. Então, ainda descabelada, mas já ajeitando os cabelos, ela abre abruptamente o guardarroupa (ou seria guarda-roupa? questiona-se mentalmente). Ela é feliz, determinada e questionadora. Deixando as perguntas de lado, ela procura entre uma pilha de roupas limpas uma mini-saia que ganhou de uma amiga (ou seria minissaia?). Ela é feliz, determinada, questionadora e confusa. Depois de uma lépida crise gramatical, ela tem uma idéia. Decide abrir sua caixinha de jóias para pegar uns dinheiros há tempos ali guardados, mas no meio do caminho lembra-se que ideias já não são mais acentuadas. Ela alivia-se, pois pensa que já sabe tudo da nova gramática, mas sem saber se engana, pois esqueceu-se que assim como as ideias, as joias também não são mais acentuadas. Ela é feliz, determinada, questionadora, confusa e enganada.

Ao contrário do que você imagina, o acordo ortográfico não veio pra deixar sua vida mais confusa. Na década de 90, os países membros da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) assinaram um tratado para unificar as gramáticas nas nove nações componentes (Angola, Brasil, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste).

Segundo Neusa Bastos, doutora em Linguística Aplicada e professora do curso de Letras do Mackenzie, o acordo aconteceu por questões políticas, para uma maior aproximação dos países falantes de língua portuguesa e uma unificação da grafia nestes países. Para ela, a medida tomada fortalece o mercado editorial  e amplia o poder político da língua portuguesa internacionalmente.

No Brasil, o prazo para adaptações ao novo acordo entrou em vigência em 2016, por isso, nós da Etc e tal separamos algumas dicas práticas para você empregar corretamente o hífen! Confira:

  1. Palavras iniciadas com H

Com prefixos (anti, co, mini, super, etc.), sempre se utiliza o hífen quando a segunda palavra for iniciada com H. Exemplos: anti-higiênico, anti-herói, super homem, etc.

2. Vogais diferentes

Segundo o novo acordo, não se utiliza hífen quando a primeira palavra começa com uma vogal e segunda palavra inicia-se com outra. Exemplo: autoestrada, semiaberto, antiaéreo

3. Consoante inicial diferente de R ou S

Quando o prefixo terminar em vogal, e a segunda palavra iniciar com uma consoante diferente de R ou S, não se utiliza hífen. Exemplo: autopeça, geopolítica, ultramoderno

4.  Consoante inicial R ou S

Quando o prefixo terminar em vogal, e a segunda palavra iniciar com R ou S, dobra-se as consoantes. Exemplo: minissaia, ultrassom, biorritmo

5.  Vogais iguais

Quando o prefixo terminar com a mesma vogal da segunda palavra, utiliza-se hífen. Exemplo: anti-inflamatório, micro-ondas, contra-ataque

6. Consoantes iguais

Quando um prefixo terminar com consoante e a segunda palavra iniciar com a mesma consoante, utiliza-se hífen. Exemplo: inter-racial, super-romântico, etc.

7. Consoante com vogal

Quando o prefixo terminar em consoante e o segundo termo iniciar com uma vogal, não se usa hífen. Exemplo: hiperativo, interestelar, etc.

8. Uso obrigatório do hífen

É obrigatório o uso do hífen após os prefixos: ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré e pró. Exemplos: ex-presidente, sem-terra, além-mar, aquém-mar, recém-casado, pós-graduação, pré-adolescente, pró-europeu.

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Matheus de Siqueira Nunes

Um apaixonado por futebol, que assiste basquete semanalmente, joga truco ocasionalmente e tenta viver poeticamente…