“Versão Brasileira” – Dublagem São Paulo

 

Os estúdios de dublagem de São Paulo, como a Vox Mundi, SP Telefilm e a Unidub, traduzem inúmeros conteúdos, tanto para cinema, quanto para canais da TV aberta e por assinatura, tendo como principais clientes, a Nickelodeon, HBO, Animal Planet e Discovery Channel, e produtoras cinematográficas, como a O2 Filmes e a Sony Animax. Este trabalho é realizado com muita dedicação e talento pelos profissionais que são responsáveis por dar “vida” a personagens que fazem parte da história e do cotidiano de muitos espectadores destes veículos.

Clube dos Cinco: Heitor (acima); Gabriela, Flora, Daniel (esq para a dir), e Mariana (abaixo).

Em uma época em que os canais passaram a “proibir” dubladores adultos de fazerem vozes infantis em desenhos e filmes, Flora Paulita, Daniel Figueira e Gabriela Milani, iniciaram suas carreiras no universo da dublagem. Por volta dos nove anos de idade, já se encontravam em estúdios para testes e gravações de vozerio (gravação de cenas conjuntas entre os dubladores no estúdio). “Comecei cantando”, conta Gabriela, 23 anos, dubladora de Stephanie, a menina dos cabelos cor de rosa do programa infantil LazyTown (Discovery Kids). Em seguida, entrou para o time de dubladores do programa Backyardigans, do mesmo canal, junto de Daniel, 24 anos, que passou no teste para viver o personagem Pablo, depois de realizar um curso de dublagem no estúdio Álamo. “Aí que tudo engrenou”, conta. Flora, 24 anos, participou do primeiro curso de dublagem infantil da cidade junto de sua irmã, na época em que sua mãe procurava um curso de dublagem para si mesma. “Não havia turmas para adultos”, explica. “Quando terminei o curso, fui à Álamo, fiz um mês de estúdio voz e comecei a dublar”, conta a “voz” das atrizes Ariana Grande (Sam e Cat, da Nickelodeon) e Chloe Grace Moretz (500 Dias com Ela).

 

 

Personagem Pablo, do desenho infantil Backyardigans, dublado por Daniel Figueira.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gabriela Milani: A voz de Stephanie, do seriado Lazy Town.

 

Ariana Grande como Cat: Dublada por Flora Paulita

 

Mariana Evangelista empresta sua voz para Luna, estrela da série do Disney Channel

A música também trouxe Mariana Evangelista, 20 anos, para a carreira de dubladora, aos doze anos. “Uma das donas da Vox (Mundi) é praticamente minha madrinha, e um dia nós estávamos em uma casa de campo, e ela me ouviu cantar na piscina e disse para minha mãe me levar para fazer um teste”. Foi então que Mariana, sem nunca ter “entrado em teatro e nem nada”, passou no teste para dublar um musical infantil que passava no Discovery Kids. Hoje, sua voz está no ar no Disney Channel, com a protagonista Luna, do seriado Sou Luna.

 

 

 

Heitor Assali dublou o baterista que busca a perfeição no longa Whiplash.

Nem todos tiveram um início “precoce” no meio. Heitor Assali, 26 anos, entrou para o teatro por conta da dublagem. Fez faculdade de artes cênicas, e neste interim, entrou para o curso de dublagem da Unidub. “Quando terminei o curso, a Angélica Santos (dubladora) que foi me levando por aí na vida…”, diz o dublador de Miles Teller, ator do filme

indicado ao Oscar, Whiplash.

 

Bruno Dias, ex mackenzista formado em Jornalismo, 32 anos, voz do Jeremias da Turma da Mônica e do Morgan dos Bananas de

O ator Bruno Dias nos estúdios de dublagem

Pijamas, começou sua carreira em 2007. “Fazia teatro desde criança”, conta Bruno, que escolheu a dublagem como uma profissão que lhe desse um sustento maior do que só o teatro. “Fiz um curso no Senac e o professor disse que eu poderia dublar adolescentes, que eu tinha uma voz caricata”. Depois de dois anos de estágio, “engrenei nisso”, finaliza.

 

Os primeiros trabalhos em estúdio revelam experiências cômicas de iniciantes. “Eu comecei com o Viggiani”, lembra Mariana, referindo-se ao diretor Orlando Viggiani. “Eu tinha que fazer trezentas vezes a mesma reação de um personagem, por que ele queria a reação extraída do fundo da alma, isso me deixou muito mais crítica em relação a mim mesma”. “De repente estava eu gravando com as dubladoras experientes e tendo que subir em duas listas telefônicas, por que sempre fui pequena, e com muito medo de errar”, ri Flora Paulita.  “Eu entrei com este tom de voz já e tinha muito mais gente com o mesmo tom, então para conseguir trabalho no começo, foi muito difícil”, relembra Heitor, sobre as dificuldades de se colocar no mercado em um período em que muitos dubladores se formaram em cursos profissionalizantes.

A tarefa de um dublador é árdua e muito importante. “Você precisa administrar, tem que estar no timbre de voz do personagem, você precisa interpretar, ler texto de uma forma que não pareça lido… É um desafio para a vida toda…”, como explica Bruno Dias. “Dublagem vai além de falar”, agrega Flora Paulita.

E é graças ao trabalho deles que grandes produções internacionais ganham uma “versão brasileira” que permite o entendimento e compreensão para todos os tipos de público. Além, é claro, de permanecer viva na memória afetiva de cada espectador, que cresceu ouvindo as vozes destes profissionais em seus personagens favoritos. É como conta Gabriela Milani: “Eu tenho dois irmãos pequenos, e às vezes eles estão lá assistindo Backyardigans e eu digo “meu Deus do céu”“.  “É uma história.”, reflete, “eu vejo alguns trabalhos e eu digo: “nossa, depois que eu morrer alguma coisa que eu fiz vai ficar”, conclui.

 

 

Fernanda Varela

19 anos, paulistana em busca de boas histórias.

“Nada como um dia após o outro e Deus em todos eles”.