Aprendendo clichês

Tenho sérios problemas de relacionamento com os clichês. Os odeio! No entanto, de uns tempos pra cá, tenho aprendido a conviver com meus indesejados desafetos. Esses dias, ao falar a alguém que desejo ser professor, ouvi a frase clichê: “Não existiria profissão alguma se não houvessem professores”. Foi convivendo tanto com pessoas que espirram clichês por todos os cantos, é que cheguei à conclusão de que se tais afirmações não fossem verdadeiras, elas jamais seriam clichês.

Neste ano que se passou, o Mackenzie deu a mim e a um grupo de outros sete alunos da universidade, o privilégio de iniciarmos nossas carreiras como professores. Todas as sextas-feiras, saíamos do campus e íamos até o bairro de Vila Nova Cachoeirinha, zona norte de São Paulo. Juntos lecionávamos Língua Portuguesa à duas turmas do 6º ano do Ensino Fundamental II da Escola Estadual Professor Flamínio Favero.

O objetivo da parte prática do projeto era mostrar aos alunos as diferenças presentes nas modalidades oral e escrita da língua, através do uso de algumas tecnologias. Durante boa parte do segundo semestre, realizamos diversas atividades que buscavam evidenciar essas diferenças e ao mesmo tempo quebrar a rotina (muitas vezes tediosa) do saudoso cotidiano escolar.

“Experimentar a docência significou um verdadeiro desafio. Lidar com uma sala de trinta alunos entre dez e doze anos é uma tarefa árdua, principalmente para professores em formação. Ser professor é como ‘pisar em ovos’: cada ação gera uma reação, e nem sempre a que esperamos ou gostaríamos. Entretanto, a experiência foi completamente enriquecedora e estimulante. Sem dúvidas um grande aprendizado.” Assim resumiu sua experiência Hudson Marlon, um dos integrantes do projeto.

Depois de passar alguns meses indo semanalmente àquela escola, concluí algumas coisas. Percebi que o trabalho do professor, embora penoso e desgastante, é uma gratificante jornada de ensinar e ser ensinado. Compreendi que a docência é uma tarefa que impacta não só a trajetória escolar, mas também a vida dos alunos. E para minha surpresa, cá estou eu produzindo os meus clichês.

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Matheus de Siqueira Nunes

Um apaixonado por futebol, que assiste basquete semanalmente, joga truco ocasionalmente e tenta viver poeticamente…