Feito irmãs

Feito irmãs

Elas sempre foram minhas melhores amigas. É engraçado que, mesmo com personalidades totalmente diferentes, nós sempre fomos tão unidas, ligadas de uma forma tão intensa. É claro, o laço familiar foi o motivo principal da nossa convivência, mas é algo muito mais forte, uma amizade que passou de geração em geração: nossas avós eram grudadas e nossas mães mais ainda.

Acho que Deus só não nos permitiu nascer dos mesmos pais porque ninguém aguentaria as três juntas, um é pouco, dois é bom, mas três é demais, né?!

Quando crianças, nossa relação era entre tapas e beijos, tinha momentos em que uma não podia olhar para a outra que começava a confusão, mas cinco minutos depois já estávamos morrendo de rir de novo. Mesmo bairro, mesma escola, mesma igreja, mesmos passeios, até mesmas roupas (sim, nossas mães compravam roupas iguais para as três às vezes), 24 horas coladas era pouco.

Depois fomos crescendo e não conseguíamos mais ficar tanto tempo juntas como antes, mas nos poucos momentos que tínhamos, sempre arranjávamos um jeito de nos divertir e conversar sobre tudo da vida.

Todas as lembranças da minha infância são com elas. Em todos os momentos felizes, estávamos juntas. Na adolescência, em todos os desafios, estávamos apoiando uma à outra. E quando os piores dias das nossas vidas chegaram, dias nos quais tivemos que aprender a conviver com a dor e lidar com a perda, estávamos de mãos dadas, as três.

Hoje, a vida nos separou mais ainda. Cada uma em um canto do Brasil, realizando nossos sonhos, começando a fase adulta. Olhando para trás, é até estranho pensar em como estamos distantes, nos encontrando algumas vezes por ano, quando antes não ficávamos nem um dia sem ir na casa uma da outra.

E o porquê desse texto? Porque eu aprendi que nós precisamos dizer para as pessoas o quanto elas são especiais. Essa foi a maneira que encontrei de dizer que não importa que tenhamos ideias divergentes, personalidades opostas, objetivos distintos, amigos diferentes, que estejamos a centenas de quilômetros de distância, que não conversemos sempre. Nós sempre seremos “as três irmãzinhas”, como todo mundo sempre nos chamou.

Elas são as pessoas mais fortes que eu conheço. Elas que, no momento em que eu estava desmoronando, eram as únicas do meu lado apertando minha mão e chorando comigo, tentando me dar a força que elas também quase não tinham mais. Nunca vou esquecer daquele momento, quando eu olhei para elas e parei para perceber que nada nunca ia mudar aquilo: elas por mim e eu por elas, sempre.

Eu agradeço todos os dias o privilégio que Deus me deu de ter me dado elas como primas e ter nos feito muito mais que isso, ter nos feito irmãs.

 

Obrigada por tudo, Lais e Camila. Eu amo vocês.

 

Rebeca Dias
“Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador [...]" ― Clarice Lispector